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#3063425

“Eu existo. Eu mereço o meu registro.” Com esse mote, o Poder Judiciário do Maranhão deu início, na manhã desta segunda-feira, 8, no Fórum de São Luís, à “Semana Nacional do Registro Civil” – de 8 a 12 de maio – com a campanha “Registre-se!”, e ações voltadas a garantir a Certidão de Nascimento entre a população menos favorecida. 

(Disponível em: <https://www.tjma.jus.br/midia/portal/noticia/ 510012/judiciario-abre-semana-nacional-do-registro-civil-nomaranhao>Acesso em: 05/2023.)

Na planície avermelhada os juazeiros alargavam duas manchas verdes. Os infelizes tinham caminhado o dia inteiro, estavam cansados e famintos. Ordinariamente andavam pouco, mas como haviam repousado bastante na areia do rio seco, a viagem progredira bem três léguas. Fazia horas que procuravam uma sombra. A folhagem dos juazeiros apareceu longe, através dos galhos pelados da catinga rala. Arrastaram-se para lá, devagar, Sinhá Vitória com o filho mais novo escanchado no quarto e o baú de folha na cabeça, Fabiano sombrio, cambaio, o aió a tiracolo, a cuia pendurada numa correia presa ao cinturão, a espingarda de pederneira no ombro. O menino mais velho e a cachorra Baleia iam atrás. Os juazeiros aproximaram-se, recuaram, sumiram-se. O menino mais velho pôs-se a chorar, sentou-se no chão.

(Graciliano Ramos, Vidas Secas. Record.)


A realidade concernente à questão da invisibilidade social para aqueles privados de direitos de cidadania é um processo sobre o qual há discussões e ações atuais e reais em andamento. Sobre o tema referido anteriormente, o texto do modernista Graciliano Ramos:

  • Retrata-o com certo eufemismo, já que o tema principal do romance é a seca no semiárido, não havendo formação de uma identidade dos personagens.
  • Expressa-o por meio de uma linguagem que retrata a regionalidade do sertão nordestino, ênfase dada por influência da negação das convenções e tradições literárias, caracterizando-o como uma produção literária da primeira geração modernista.
  • Apresenta-o como marcador da miséria social, cenário presente em algumas das principais obras da segunda fase do Modernismo no Brasil em que o contexto brasileiro passava por intensas transformações em consequência da situação interna do país e também do cenário mundial.
  • Indica-o como uma questão tratada como polêmica pela geração modernista de 30, em que o romance social discutia questões de uma identidade verdadeiramente nacional em decorrência da situação de conflito vivida pelo país, assim como ocorria por ocasião da produção literária do século XVIII quando o Brasil tornou-se independente.
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