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#2949277

No dia 30 de março de 2011, a Autoridade Policial da 15ª DP (Gávea) recebeu expediente encaminhado pelo VI Juizado Especial Cível da Capital (Gávea), referente à ação de cobrança desenvolvida naquele Juízo, em que, na sentença proferida na semana anterior, foi constatado que o réu, suposto devedor cível, apesar de fsicamente identifcado, valia-se de documentos falsos. A falsifcação consistia na inserção de fotografas próprias em documento de identifcação civil (“RG”) e em carteira nacional de identifcação autênticos, pertencentes a pessoa já falecida. Feito breve levantamento, descobriu- se que a mesma pessoa utilizara seus documentos para conseguir empréstimos em entidades particulares de crédito, fgurando como réu em mais oito processos naquele mesmo Juizado Especial. A Autoridade Policial, então, determinou sua oitiva, sendo encontrado no endereço fornecido nos processos cíveis. Na Delegacia de Polícia, recusou-se a prestar declarações, invocando seu direito ao silêncio, sendo obrigado a fornecer seus padrões datiloscópicos e posar para fotografas, oportunidade em que foi liberado. A posterior consulta aos seus dados datiloscópicos não retornou qualquer resultado. Procurada novamente em seu endereço, a pessoa não mais foi localizada. Ao fnal do prazo de trinta dias, a Autoridade Policial relatou parcialmente os autos, encaminhando o procedimento ao Ministério Público, com solicitação de renovação do prazo para o prosseguimento das investigações. Ao receber o inquérito, o Promotor de Justiça com atribuição ofereceu denúncia, por entender confgurado o crime de estelionato e uso de documentos falsos, em continuidade delitiva. O Juiz Criminal, ao receber o procedimento denunciado, entendendo haver prova sufciente dos crimes imputados, deverá:

  • receber a denúncia e determinar a citação do imputado para responder à acusação por escrito, pois a impossibilidade de identifcação do acusado com seu verdadeiro nome ou outros qualifcativos não retardará a ação penal, quando certa a identidade física, sendo possível a posterior retifcação, por termo, nos autos;
  • rejeitar a denúncia, pois a impossibilidade de identifcação do acusado com seu verdadeiro nome ou outros qualifcativos constitui barreira impeditiva ao prosseguimento da ação penal;
  • receber a denúncia e determinar a citação do imputado para responder à acusação por escrito, pois a impossibilidade de identifcação do acusado com seu verdadeiro nome ou outros qualifcativos não retardará a ação penal, pois, até a prolação da sentença, se for descoberta a sua qualifcação, será possível a retifcação, por termo, nos autos;
  • não receber a denúncia, pois a impossibilidade de identifcação do acusado com seu verdadeiro nome ou outros qualifcativos constitui barreira impeditiva ao prosseguimento da ação penal;
  • deixar de receber a denúncia, aplicando analogicamente o art. 28 do CPP, remetendo os autos ao Procurador-Geral de Justiça, pois a impossibilidade de identifcação do acusado com seu verdadeiro nome ou outros qualifcativos constitui falha da imputação.
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