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  • Órgãos: MPC - MT
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#2532950
Texto da Questão:

Atenção: A questão refere-se ao texto seguinte.

O preço da virtude

    Nossas qualidades naturais são, já por si, virtuosas? Pessoas de temperamento calmo e índole generosa, por exemplo, podem ser vistas como gente indiscutivelmente meritória? Mulheres e homens bem intencionados devem ser julgados apenas com base em suas boas intenções? Tais perguntas nos levam a um complicado centro de discussão: haverá algum valor moral nas ações que se executam com naturalidade, sem o enfrentamento de qualquer obstáculo, ou o que é natural não encerra virtude alguma, já que não encontra qualquer adversidade?
    Há quem defenda a tese de que somente há virtude numa ação benigna cujo desempenho implica algum sacrifício do sujeito. A virtude estaria, assim, não na natureza do indivíduo, mas na sua firme disposição para sacrificar-se em benefício de um outro ser ou de um ideal. O sacrifício indicaria o desprendimento moral, o ato desinteressado, a disposição para pagar um preço pela escolha feita: eu me disponho a passar fome para que essa criança se alimente; eu deixo de usufruir um prazer para que o outro possa experimentá-lo.
    Nessa questão, valores éticos e valores religiosos podem até mesmo se confundir. A palavra sacrifício tem o sagrado na raiz; mas não é preciso ser religioso para se provar a capacidade de renúncia. Quanto ao preço a pagar, não há dúvida: sempre reconheceremos mais mérito em quem foi capaz de agir passando por cima de seu próprio interesse do que naquele que agiu sem ter que enfrentar qualquer ônus em sua decisão.

(TRANCOSO, Doroteu. Inédito)

Com base na tese desenvolvida no texto,

  • as ações de uma pessoa de temperamento calmo e índole generosa deixam de ter mérito quando ela suplanta sacrifícios inerentes às ações.
  • mulheres e homens bem intencionados, a despeito de alimentarem bons propósitos, não são capazes de demonstrar algum mérito verdadeiro em suas ações.
  • as ações executadas com grande naturalidade podem ser benignas, mas somente serão virtuosas se se furtarem a todo e qualquer sacrifício.
  • as virtudes não devem ser reconhecidas nas expansões naturais do indivíduo, mas na sua capacidade de sacrificar-se na afirmação de um valor moral.
  • os valores éticos e religiosos já são, por si mesmos, virtudes reais, uma vez que não dependem do sacrifício de ninguém para que venham a afirmar-se.
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