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#3700231
Texto da Questão:

Leia o texto a seguir para responder as questões:

        A concepção de Kincheloe apoia-se na pedagogia crítica defendida por Freire. Discutindo a concepção bancária de ensino-aprendizagem (que resulta – assim como é o resultado – de um currículo e formação de professor fragmentados), Freire (1970, p. 85) afirma que essa concepção “desenvolve uma ação apassivadora, coincide com o estado de “imersão” da consciência oprimida”.

        Para Freire, não é a oposição de um discurso ao outro que promoverá a transformação social, mas a formação para a conscientização de sua condição subalterna. Em outras palavras: “o empenho (...) está em que os oprimidos tomem consciência de que, pelo fato mesmo de que estão sendo “hospedeiros” dos opressores, como seres duais, não estão podendo ser (1970, p. 86, grifo meu)”.

        Não bastaria, portanto, substituir a linguagem de um grupo social ou político por outro. A formação de professores não poderia ser pautada no ensino (por uns) e apropriação de práticas, técnicas ou mesmo conceitos (por outros). É preciso permitir que as linguagens em conflito possam ser compreendidas pelos agentes que, em última análise, as validam e utilizam – talvez inconscientemente. Caso contrário, estando na Linguística Aplicada, tenho o dever de ressaltar que tais agentes (ex.: os educadores) estariam a serviço da manutenção de uma linguagem cujos objetivos, muitas vezes, desconhecem porque não foram formados para ler nas entrelinhas, a “letra miúda” que traz os “efeitos colaterais”. Ao mesmo tempo, seria obrigada a denunciar que a formação de professores estaria a serviço também da mesma manutenção – “fazendo comunicados” (Freire, 1970), mas não “comunicando”.

(Sueli Salles Fidalgo. Formar professores de línguas para incluir em contextos de diversidade excludente.)

A autora argumenta que a transformação social, na perspectiva freiriana, não se concretiza pela simples substituição de discursos.
Considerando a metáfora dos oprimidos como “hospedeiros” dos opressores, para o movimento de emancipação e para o seu pleno “ser” é essencial

  • a substituição da dicotomia discursiva em sala de aula por um modelo de ensino-aprendizagem comunicativo e instrumental.
  • o reconhecimento de que o currículo é fragmentado, exigindo que o professor se aproprie de técnicas de mediação cultural para o diálogo.
  • a formação da conscientização, que exige uma ruptura ontológica em que os oprimidos, por meio da prática, reconhecem o impedimento de sua agência e existência plena.
  • a oposição radical e imediata ao discurso dominante por meio de uma linguagem politicamente engajada, visando à confrontação de grupos sociais.
  • a reformulação da formação de professores para que se concentre na leitura crítica da “letra miúda”, sem um engajamento com a condição subalterna.
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