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#3700237
Texto da Questão:

Leia o texto a seguir para responder as questões:

        A concepção de Kincheloe apoia-se na pedagogia crítica defendida por Freire. Discutindo a concepção bancária de ensino-aprendizagem (que resulta – assim como é o resultado – de um currículo e formação de professor fragmentados), Freire (1970, p. 85) afirma que essa concepção “desenvolve uma ação apassivadora, coincide com o estado de “imersão” da consciência oprimida”.

        Para Freire, não é a oposição de um discurso ao outro que promoverá a transformação social, mas a formação para a conscientização de sua condição subalterna. Em outras palavras: “o empenho (...) está em que os oprimidos tomem consciência de que, pelo fato mesmo de que estão sendo “hospedeiros” dos opressores, como seres duais, não estão podendo ser (1970, p. 86, grifo meu)”.

        Não bastaria, portanto, substituir a linguagem de um grupo social ou político por outro. A formação de professores não poderia ser pautada no ensino (por uns) e apropriação de práticas, técnicas ou mesmo conceitos (por outros). É preciso permitir que as linguagens em conflito possam ser compreendidas pelos agentes que, em última análise, as validam e utilizam – talvez inconscientemente. Caso contrário, estando na Linguística Aplicada, tenho o dever de ressaltar que tais agentes (ex.: os educadores) estariam a serviço da manutenção de uma linguagem cujos objetivos, muitas vezes, desconhecem porque não foram formados para ler nas entrelinhas, a “letra miúda” que traz os “efeitos colaterais”. Ao mesmo tempo, seria obrigada a denunciar que a formação de professores estaria a serviço também da mesma manutenção – “fazendo comunicados” (Freire, 1970), mas não “comunicando”.

(Sueli Salles Fidalgo. Formar professores de línguas para incluir em contextos de diversidade excludente.)

A autora, situando-se no campo da Linguística Aplicada, impõe o dever de denunciar a formação de professores que não promova a análise crítica das linguagens em conflito.
De acordo com o texto, a implicação mais relevante dessa formação despolitizada para o papel do educador é

  • os educadores atuarem como agentes de reprodução ideológica e manutenção hegemônica, pois, limitam-se a transmitir informação sem significado crítico.
  • os agentes validarem e utilizarem inconscientemente práticas pedagógicas não autorais, mas conseguirem ler a “letra miúda” e identificar os “efeitos colaterais” em sua formação.
  • a formação passar a ser pautada na comunicação ativa, permitindo o diálogo e o entendimento das linguagens em conflito, superando a mera transmissão.
  • o professor ser capaz de decodificar o currículo de forma autônoma, assumindo a responsabilidade por sua pesquisa, independentemente da sua formação inicial.
  • a formação fragmentada assegurar que o educador evite a linguagem apassivadora da concepção bancária, pois ele se concentra em apropriar-se apenas de práticas e técnicas eficazes.
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