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#1725153
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   Ao fazer o cotejo da nossa lista de duzentos verbos com esses quatro importantes instrumentos de referência*, ficou claríssimo para nós o que já percebíamos intuitivamente: a regência verbal da modalidade escrita formal do português brasileiro contemporâneo é bastante variável e as condenações da tradição a determinados usos não têm efetiva sustentação nem nos dados, nem nos instrumentos normativos.

   Há nisso um tremendo paradoxo: os instrumentos normativos são, em geral, mais flexíveis do que o discurso categórico que prevalece no sistema escolar, na mídia, no trabalho de revisores, nas provas de concursos e nos testes de escolaridade.

     A cultura filológica e linguística – apesar de, algumas vezes, se mover com certa timidez ou ambiguidade – tem claramente se afastado, em boa medida, da prescrição cega da interdição categórica. Até porque o uso da língua desmente qualquer dessas atitudes inflexíveis.


* Dicionário de verbos e regimes, de Francisco Fernandes; O problema da regência, de Antenor Nascentes; Dicionário prático de regência verbal, de Celso Pedro Luft; Dicionário gramatical de verbos do português contemporâneo, organizado por Francisco da Silva Borba.


VIEIRA, F. E.; FARACO, C. A. Escrever na universidade: gramática da norma e referência. São Paulo: Parábola, 2022. p. 43-44

Assinale a alternativa CORRETA.

  • O texto apresenta uma linguagem mais informal e com teor mais subjetivo do que comumente se observa em textos acadêmicos (como o artigo científico, por exemplo), como mostram as seguintes escolhas lexicais: “claríssimo”, “tremendo”, “timidez” e “cega”.
  • Os substantivos “cotejo” (1º parágrafo), “paradoxo” (2º parágrafo) e “instrumentos” (2º parágrafo) apresentam, nesse texto, significado próximo de ‘comparação’, ‘problema’ e ‘equipamentos’, respectivamente.
  • O paradoxo citado no texto se estabelece porque a cultura filológica, que diz respeito ao estudo científico do desenvolvimento de uma língua, é cega em relação às interdições categóricas e às atitudes inflexíveis no que tange à regência verbal.
  • Pode-se dizer que a expressão “em boa medida” significa que o referido afastamento é expressivo, o que a torna contraditória em relação ao conteúdo apresentado entre os travessões – conteúdo esse que é exemplificado no último período do texto.
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