A América Latina (AL), como se sabe, “nasceu” católica. Isto é, os primeiros viajantes e exploradores
espanhóis e portugueses aqui chegaram com o intuito não somente de conquistar economicamente terras e
riquezas naturais, mas, também, de ver concretizado o sonho milenarista e salvacionista cristão, acalentado
pelo imaginário europeu, de encontrar o paraíso terrestre, noção baseada no Gênesis e recheada pelo
imaginário edênico ao longo dos séculos. Portanto, a expansão ibérica significou também a expansão do
catolicismo na América Latina, mediante a união da cruz e da espada, do trono e do altar, fato este que não
mudou durante as décadas e os séculos, mesmo com a constituição dos Estados-Nações no continente,
posto que muitos países adotaram legalmente o catolicismo como religião oficial, com a consequente
ausência ou limitação da liberdade religiosa na região.
ORO,Pedro e URETA, Marcela. Religião e política na América Latina: uma análise da legislação dos países. In: Horizontes
Antropológicos, Porto Alegre, ano 13, n. 27, , jan./jun. 2007, p. 281-282).
Embora a situação descrita acima para a América Latina (AL) tenha passado por mudanças em diferentes
aspectos, permitindo que exista hoje nos países que integram essa parte do continente uma heterogeneidade
de posicionamentos, no que concerne às relações oficiais entre religião e política, Igreja e Estado, observa-se
nessa trajetória
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