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O cenário político brasileiro é perpassado por expressões como “lulismo”, “carlismo”, “malufismo”, “sarneyismo”, “brizolismo”, “getulismo”, “janismo” etc.Esses “ismos” possuem uma função muito mais avaliativa do que denotativa (COLLOVALD, 1991), isto é, julgamentos pejorativos e leituras consagradoras mesclam-se em um universo de personificação do capital político como forma de capital simbólico. (BOURDIEU, 1989). Tais termos fixam igualmente uma idéia (sic) de unidade e de continuidade, a partir da associação reivindicada ou denunciada entre agentes atuantes no espaço político. (GRILL, 2012, p.193).
Dois indivíduos tiveram seus “nomes” e suas “lideranças” como bases da constituição de “etiquetas políticas” que dominaram a cena eleitoral maranhense ao longo do período 1945- 2010, sucedendo-se nas posições de poder político no estado: Victorino Freire e José Sarney. Em torno de ambos constituíram-se redes de seguidores e, em oposição aos mesmos e às facções que dirigiram, consolidaram-se facções rivais (“frentes oposicionistas” articuladas em nome do objetivo comum de derrotar o “grupo” dominante). (GRILL, 2012, p.197).
O autor dos textos acima destaca que os “ismos”, quando se referem ao universo da política, relacionam-se diretamente às condições de elegibilidade, apresentando-se como “instrumentos de localização de agentes em “linhagens” e agentes de associação com patrimônios coletivos”. Fez (fizeram) parte das dinâmicas de estruturação do “vitorinismo” e do “sarneysmo”.

  • as estratégias de Victorino Freire, de oposição ao poder central, na organização política do Partido Social Democrata (PSD) no estado, para as eleições de 1935.
  • as eleições para o governo do estado em outubro de 1965, em que José Sarney, candidato de oposição ao vitorinismo, venceu Renato Archer.
  • a oposição desenvolvida por Sarney a Victorino Freire, o que levou à sua nomeação para assessor do governo em 1950, apesar dos esforços contrários do congressista local.
  • a negação de Sarney à referência mítica inspirada na ideia do Maranhão como “Atenas brasileira” e ao discurso decadentista que enfatiza o “passado de prosperidade”.
  • a construção de representações opostas para os dois “ismos”: o primeiro como prolongamento da Primeira República, o segundo como símbolo do modernismo.
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