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#2498262

Rita Terezinha Schmidt, em texto que integra o volume organizado por Heloisa Buarque de Hollanda sobre o pensamento feminista brasileiro, ataca a invisibilidade da autoria feminina no século XIX, período da formatação da identidade nacional e da institucionalização da literatura. Para a autora, na construção da genealogia brasileira, não houve espaço para a alteridade, de modo que a produção literária local traduziu a intenção programática de construção de uma literatura nacional, perspectivada a partir de um nacionalismo romântico abstrato e conservador, e atravessada pela contradição entre o desejo de autonomia e a dependência cultural. Ou seja, a nação se consolidou nas bases de uma ordem social simbólica pautada na imagem de um sujeito nacional universal – dentro do paradigma do colonizador –, cuja identidade se impôs de forma abstrata.


Ao questionar essa matriz ideológica do paradigma universalista, Schmidt

  • traz à baila autoras como Ana Cesar, poeta e ficcionista, mulher de atuação marcante na imprensa do país nas primeiras décadas do século XX.
  • remodela a percepção romântica de constituição do imaginário, garantindo um novo lugar na história para autoras como Carolina Maria de Jesus, até então alijadas dos circuitos acadêmicos.
  • insere na historiografia literária a autora Julia Lopes de Almeida, cuja obra “Fragmentos” reúne crônicas, cartas e contos.
  • condensa uma série de problematizações acerca do tema da idealização da nação gestadas ao longo do século XX, sintetizadas no próprio ensaio.
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