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#2498258

Na introdução ao volume que organizara selecionando importantes ensaios de Silviano Santiago, Ítalo Moriconi lembra que, na metacrítica do autor, o deslocamento é um gesto crítico preventivo, é uma preliminar da empreitada metodológica; é o exercício da vontade de operar a substituição brusca de um ponto de vista ou paradigma; é a dimensão contra-hegemônica que todo ato crítico deve ter. Tal movimento crítico/interpretativo identificado na produção de Santiago agenciaria, dos anos de 1990 em diante, um radical deslocamento, a partir da problematização do cosmopolitismo, das margens, das fronteiras, e dos limites – tanto sociais quanto discursivos.


Nessa perspectiva, em “O cosmopolitismo do pobre”, o autor propõe a

  • concepção de uma nova teorização que se opunha à estruturação do “antigo multiculturalismo” fundado nos princípios da “comunidade imaginada”, agora minada pela fonte multirracial e pela economia transnacional em que beberam tanto os Estados-nações periféricos quanto os hegemônicos.
  • consolidação dos princípios teóricos do multiculturalismo, erigidos a partir do começo do século XX, cuja ressonância no presente se potencializa pelas novas dinâmicas sociais verificadas nos Estados-nações periféricos.
  • aplicação de conceitos, tais como o de “etnocentrismo”, a partir de uma teorização nacional própria – a exemplo da obra de Gilberto Freyre –, conjugada a fenômenos sociais locais encampados pelo movimento negro e pelo movimento de reconhecimento das culturas indígenas.
  • edificação de uma memória coletiva, em detrimento de uma memória individual marginalizada, consolidada, por exemplo, na dinâmica migratória da segunda metade do século XX, cujo efeito imaterial resulta na produção de novas comunidades culturais nas megalópoles latino-americanas.
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