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#2740943

“NORMALMENTE, quando as pessoas falam em gramática, desconhecem que podem estar
falando não de uma coisa só, mas de coisas bem diferentes. Essa falsa impressão é também
decorrente daquela já referida redução que os fatos linguísticos têm sofrido.

Na verdade, quando se fala em gramática, pode-se estar falando:
a) das regras que definem o funcionamento de determinada língua, como em: “a gramática do
português”; nessa acepção, a gramática corresponde ao saber intuitivo que todo falante
tem de sua própria língua, a qual tem sido chamada de ‘gramática internalizada”;
b) das regras que definem o funcionamento de determinada norma, como em: “a gramática
da norma culta”, por exemplo;
c) de uma perspectiva de estudo, como em: “a gramática gerativa”, “a gramática
estruturalista”, a “gramática funcionalista”; ou de uma tendência histórica de abordagem,
como em: “a gramática tradicional”, por exemplo;
d) de uma disciplina escolar, como em: “aulas de gramática”;
e) de um livro, como em: “a gramática de Celso Cunha”.
Cada uma dessas acepções se refere a uma coisa diferente. Todas, na verdade, coexistem.
Sem problemas, mas precisam ser percebidas nas suas particularidades, nas suas funções e
nos seus limites.”

ANTUNES, Irandé. Que gramáticas existem?. Muito além da gramática: por um ensino de línguas sem pedras no  caminho. São Paulo: Parábola Editorial, 2007. P. 25-26.


Acerca das ideias apresentadas no texto, analise as seguintes afirmativas e assinale a que estiver CORRETA:

  • Ao se referir à gramática internalizada, a autora sugere que, a partir do momento em que um indivíduo começa a frequentar a escola e a estudar uma determinada língua, ele internaliza (aprende) o que lhe é ensinado e passa a utilizar no seu cotidiano o que aprendeu.
  • Para o bom andamento das aulas, o professor deverá considerar as seguintes definições de gramática: (a) conjunto das regras que definem o funcionamento de determinada língua; (b) disciplina escolar e (c) livro onde estão contidas as regras que devem ser seguidas nos contextos de língua padrão.
  • É comum as pessoas acharem que só existe uma gramática. Entretanto, é preciso ter em mente que o conceito de gramática pode assumir diferentes nuances que devem ser respeitadas, sem que nenhuma exclua a outra.
  • No último parágrafo, a autora contradiz a ideia de existência de várias gramáticas ao afirmar que, apesar de as acepções de gramática serem “coisas diferentes”, elas coexistem sem problemas.
  • A autora sugere que a prática docente deve levar em conta que existem várias acepções de gramática. Por esse motivo, o professor deverá definir, junto aos seus alunos, qual acepção adotará, observando as particularidades de seu plano de ensino.
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