Leia o fragmento a seguir da crônica “As supermães e as mães
normais”.
Há quase 16 anos no ramo da maternidade, com duas experiências
bem-sucedidas até aqui, me pergunto: o que fiz que merecesse
ficar como exemplo para a posteridade? Ok, passei noites em
claro, troquei muitas fraldas, levei e busquei do colégio umas 3 mil
vezes – e ainda sigo na função. Fui a festinhas de aniversário
barulhentas, passei fins de semana em pracinhas, ensinei a andar
de bicicleta, levei a livrarias e cinemas, fiz vários curativos, impus
limites, disse “não” quando era preciso e até quando não era
preciso. Nada que uma mãe média também não faça.
O que elas aprenderam comigo? A devolver o que não é seu, a
dizer a verdade, a ser gentil, a não depender demais dos outros, a
aceitar que as pessoas não são todas iguais e que isso. Nem mesmo
as mães são todas iguais, contrariando o famoso ditado. Há as que
se sacrificaram, as que abriram mão de sua felicidade em troca da
felicidade dos filhos, as que mantiveram casamentos horrorosos
para não fazê-los sofrer com um lar desfacelado, as que
trabalharam insanamente para não faltar nada em casa, as que
sangraram por dentro e por fora para manter a família de pé.
Eu não fiz nada disso. Por sorte, a vida não me exigiu nenhuma
atitude sobre-humana. Fui e sigo sendo uma mãe bem
normalzinha. Que acerta, que erra, que faz o melhor que pode. Em
comum com as supermães, apenas o amor, que é sempre
inesgotável. Mas, medalha de honra ao mérito, não sei se mereço.
Não me julgo sacrificada e tampouco sublime. Sou uma mulher
que teve a sorte de ter a Julia e a Laura, uma mulher que se
equilibra entre dúvidas e certezas e que consegue tirar um saldo
positivo desta adorável bagunça.
MEDEIROS, Martha. Doidas e santas. São Paulo: L&PM Editores, 2008. p. 130-131.
A autora da crônica, ao falar sobre a maternidade, usa uma série
de orações adjetivas, conforme as que estão sublinhadas no
segundo parágrafo do texto.
No contexto da crônica, as orações adjetivas sublinhadas têm a
função de
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