3 de setembro de 1960
De manhã o senhor Antonio Soeiro Cabral converso comigo, ele
está horrorisado porque o Audálio é sosinho para escrever e não
tem tempo para arranjar uma casa pra mim.
Preparei os filhos e fomos para a cidade. O Toninho véio visitar-me
e voltamos para a cidade, paguei-lhe a viagem, várias pessoas
parava e perguntava-se sou autora do Quarto de Despejo, elogia o
livro.
4 de setembro de 1960
Levantei as 6 horas, preparei a refeição matinal. Eu não vou sair
Estou apreciando Osasco por causa da tranquilidade, e o ar puro,
da a impressão que eu sai do inferno, e estou no céu. Os visinhos
olha-me e sorri, as crianças são em numeros menors porque não
vivem nas ruas. Na favela as crianças pareçem numerosas por
causa dos barracões ser unidos.
Adaptado de JESUS, Carolina Maria de. Casa de Alvenaria, volume 1: Osasco. São
Paulo: Cia das Letras, 2021. p. 34-37.
O texto desta questão é um trecho do livro “Casa de Alvenaria”,
obra literária escrita por Carolina Maria de Jesus, uma mulher
moradora da Favela do Canindé (SP), catadora de lixo e mãe de
três filhos, cuja história - contada em formato de diário - chamou
a atenção do mercado editorial.
Sobre o trecho de “Casa de Alvenaria”, analise as afirmativas a
seguir.
I. Os elementos linguísticos em desacordo com a norma culta da
Língua Portuguesa, representam marcas identitárias da
autora.
II. O conteúdo do texto apresenta grande valor literário pela
presença de recursos metafóricos e de metalinguagem.
III. O formato em “diário” que estrutura a obra confere
pessoalidade ao conteúdo e à forma como a autora narra suas
memórias.
Está correto o que se afirma em
Autenticação
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