Leia o trecho a seguir.
Sr. Redator:
Desculpe os erros e a letra pois não sou costumeira nestas coisas
de escrever e se hoje venho a vossa presença é para botar os
pontos nos ii. Vi no jornal uma notícia sobre os furtos dos "Capitães
da Areia" e logo depois veio a polícia e disse que ia perseguir eles
e então o doutor dos menores veio com uma conversa dizendo que
era uma pena que eles não se emendava no reformatório para
onde ele mandava os pobres. É pra falar no tal do reformatório que
eu escrevo estas mal traçadas linhas. Eu queria que seu jornal
mandasse uma pessoa ver o tal do reformatório para ver como são
tratados os filhos dos pobres que têm a desgraça de cair nas mãos
daqueles guardas sem alma. Vá de repente e há de ver quem tem
razão. É por essas e outras que existem os "Capitães da Areia".
Também se quiser pode conversar com o Padre José Pedro, que foi
capelão de lá e viu tudo isso. Ele também pode contar e com
melhores palavras que eu não tenho.
Maria Ricardina, costureira.
Adaptado de AMADO, Jorge. Capitães da Areia. Rio de Janeiro: Record, 2007. p. 10-
11.
O texto é uma carta escrita ao fictício “Jornal da Tarde”,
denunciando os maus tratos impostos a menores delinquentes, no
reformatório da cidade. Logo no início, a remetente anuncia sua
pouca habilidade com a Língua Portuguesa e associa isso à sua
condição social.
Um elemento textual de variação linguística que confirma essa
condição social é
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