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#3705612

Paciente de 38 anos, vítima de traumatismo cranioencefálico grave (Escala de Coma de Glasgow 6) por acidente motociclístico há 4 dias, está internado em UTI neurológica sob ventilação mecânica invasiva (modo SIMV, PEEP 8 cmH2O, FiO2 40%).
Apresenta edema cerebral difuso controlado com drenagem ventricular externa, hipertensão intracraniana intermitente (PIC 18-22 mmHg) e estado comatoso persistente. Evoluiu com gastroparesia severa evidenciada por resíduo gástrico elevado (>500 mL/6h), distensão gástrica e refluxo gastroesofágico documentado. Múltiplas tentativas de nutrição enteral por sonda nasogástrica resultaram em resíduo persistentemente alto (650- 800 mL), regurgitação e episódio de broncoaspiração confirmado por broncoscopia há 48h.
Encontra-se em jejum há 72 horas devido à intolerância gástrica, com sinais precoces de depleção nutricional e resposta hipermetabólica ao trauma. Apresenta estabilidade hemodinâmica relativa (noradrenalina 0,1 mcg/kg/min), função renal preservada e ausência de contraindicações cirúrgicas.

Considerando o caso, a equipe de nutrição clínica decidiu pela 

  • implementação imediata de sonda nasojejunal por técnica endoscópica ou fluoroscópica para alimentação pós-pilórica, permitindobypassgástrico completo, redução do risco aspirativo e início precoce da nutrição enteral com metas calórico-proteicas adequadas para TCE grave.
  • suspensão definitiva da nutrição enteral e implementação imediata de nutrição parenteral total através de acesso venoso central, fornecendo aporte nutricional completo (25-30 kcal/kg/dia, 1,5-2,0g proteína/kg/dia) até resolução completa da gastroparesia e normalização da motilidade gastrointestinal.
  • realização de gastrostomia endoscópica percutânea (PEG) para estabelecimento de acesso gástrico definitivo, permitindo descompressão gástrica contínua, administração segura de medicações e nutrição enteral em posição gástrica com controle otimizado do esvaziamento.
  • manutenção da sonda nasoenteral com redução da velocidade de infusão para 10 mL/h, elevação da cabeceira a 45°, uso de procinéticos (metoclopramida 10mg 8/8h) e monitorização rigorosa do resíduo gástrico a cada 4 horas até melhora da motilidade gástrica.
  • suspensão temporária da nutrição artificial aguardando resolução espontânea da gastroparesia (7-14 dias), mantendo apenas hidratação venosa e correção eletrolítica, com reavaliação da motilidade gástrica por meio de cintilografia antes de retomar tentativas nutricionais.
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