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#2367865
Texto da Questão:

      Há bons motivos para não gostar dos manguezais: são feios, lamacentos, repletos de mosquitos e geralmente cheiram mal. Mas há também boas – e novas – razões para dar mais valor a esses espaços que misturam água do mar e de rios em meio a árvores de raízes expostas. Aprofundando a antiga explicação de que os manguezais são berçários de animais marinhos, uma equipe da Universidade Federal de Pernambuco verificou que várias espécies de peixes precisam de redutos distintos no mangue, com salinidade maior ou menor, para desovar e criar seus filhotes até que sejam capazes de seguir para o oceano.

      “O local de acasalamento dos peixes é um, o de desova é outro e o berçário é um terceiro, às vezes distante entre si dezenas de metros, tudo dentro do estuário”, diz Mario Barletta, que, com seu grupo, percorre os estuários da América do Sul. Outra conclusão é que esses locais de reprodução, desova, crescimento, proteção e alimentação de peixes variam ao longo do ano, de acordo com as fases da lua e o regime de chuvas, com diferentes níveis de turbidez, salinidade e concentração de oxigênio dissolvido na água.

      Comuns em todo o litoral brasileiro, exceto no Rio Grande do Sul, os manguezais são protegidos por lei federal, mas estão perdendo espaço para estradas, condomínios residenciais e indústrias, e ganhando poluição. Sem seus refúgios, peixes e tartarugas marinhas em crescimento mudam a dieta e comem até plástico. Fernanda Possato Barleta e outros pesquisadores da UFPE alertam que não é possível quantificar o alcance desse fenômeno nem as consequências desse tipo de poluição, mas recomendam mais cuidado para evitar que ela prejudique ainda mais a vida dos peixes e das pessoas.

(Fragmento adaptado de Carlos Fioravanti. “Berçários móveis”. Pesquisa FAPESP, n. 187, Setembro de 2011. p. 55-7) 

Os estudos realizados pela equipe da Universidade Federal de Pernambuco em áreas de mangue

  • vinculam as características comuns dos manguezais – a feiúra, o mau-cheiro, a presença da lama e dos mosquitos – à poluição causada pela ocupação humana, com suas estradas, condomínios e indústrias.
  • apontam como o caso mais grave de deterioração dos manguezais o do Rio Grande do Sul, onde, mesmo protegidos por lei federal, eles desapareceram, dando lugar a indústrias, condomínios e estradas.
  • contrariam a visão de que o homem é o principal responsável pelas alterações dos manguezais, que têm como real causa as fases da lua e o regime de chuvas, que alteram os níveis de salinidade e concentração de oxigênio.
  • ratificam a importância do papel desempenhado pelos manguezais na reprodução dos animais marinhos e revelam como os ciclos de vida desses seres se relacionam com a diversidade e a complexidade desse ambiente.
  • constatam mudanças nos hábitos alimentares de peixes e tartarugas marinhas, que passaram a se alimentar basicamente de materiais feitos de plástico, descartados diretamente nos manguezais por indústrias e condomínios.
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