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#2886232
Texto da Questão:

Maturidade

Não, não sei, jamais saberei o que é maturidade. Mas
sei reconhecer a imaturidade, quando esta se manifesta.
Reconheço-a antes de tudo em mim, que cheguei esperançoso
à ideia de não mais merecê-la. Mas o milagre não se deu.

Por vezes tive a boba e boa ilusão de estar chegando lá,
à maturidade. Controlei alguns demônios menores; outros de
moto próprio me deixaram; senti valorizar-se em mim o sentido
da justiça e a tentação da fraternidade; meu egoísmo se
reduziu, dando mais espaço à compreensão do outro, abri os
olhos às minhas complacências indevidas e os fechei o mais
que pude aos rigores de juízo enraizados no ressentimento.
Demissões, mutações e aquisições se operavam em mim, que
esperava, deliciado, a maturidade.

Mas a maturidade não veio. Esvaziei-me no desengano.
A princípio com uma tristeza, depois com uma espécie de
contentamento venal, chegando quase à indiferença insípida, vi
que a maturidade não veio.

(Paulo Mendes Campos, Crônicas escolhidas. S. Paulo: Ática,
1981, p. 149)

Está redigido com clareza e correção o seguinte comentário sobre o texto:

  • Graças à maturidade em que nunca chegou, o autor não se indispôs consigo próprio, antes disso, acabou por se deixar levar ao tédio.
  • Fia-se o autor na ideia de que, mesmo sendo compulsória, a maturidade por vezes deixa de contemplar aqueles que com ela não se congraçam.
  • Centrando-se no seu desengano, esta crônica deixa supor que não obstante a maturidade não chegue, o autor deixa-se invadir pela melancolia.
  • Não se pergunta o cronista porque não atingiu à maturidade, apenas constata que ela se fez pressentir, sem de fato chegar-lhe a bom termo.
  • Ao confessar que não chegou à maturidade, o cronista expõe o processo ao longo do qual chegou a imaginar que poderia alcançá-la.
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