Texto 2
O machismo no ensino médico
A medicina, assim como a carreira
militar e a eclesiástica, sempre foi atividade
considerada própria do sexo masculino.
Embora a Escola de Salerno, na Idade Média,
05 admitisse mulheres no curso médico, houve a
partir de então uma dificuldade crescente de
acesso às universidades para o sexo feminino.
Em relação à medicina, havia ainda o
preconceito de que se tratava de uma profissão
10 inadequada à mulher por razões de ordem
moral. Quando muito se admitia a colaboração
da mulher no cuidado aos doentes como
enfermeira, função exercida durante séculos
pelas religiosas de várias ordens (irmãs de
15 caridade), ou na assistência às parturientes,
como parteiras.
Em 1812 formou-se em Edimburgo um
médico de nome James Barry, que ingressou
no serviço médico do exército inglês, tendo
20 trabalhado durante muitos anos como médico
militar nas colônias inglesas. Era franzino,
imberbe e tinha a voz fina. Com a sua morte,
em 1865, descobriu-se que se tratava de uma
mulher disfarçada de homem. Para evitar
25 escândalo foi sepultada como homem e só
posteriormente o segredo foi revelado.
Seguramente inspirada na lenda de Agnodice,
foi a maneira encontrada por essa mulher para
atender a sua vocação (Lyons e Petrucelli,
30 1978, p. 565). Apesar de todas as dificuldades
encontradas, algumas mulheres destemidas
conseguiram pouco a pouco vencer todos os
preconceitos e todas as barreiras.
MENEGHELI, Ulisses. O machismo na história do ensino
médico. In:______. À sombra do plátano: crônicas de História
da medicina. São Paulo: Editora Unifesp, 2009. pp. 131-132.
“A medicina, assim como a carreira militar e a eclesiástica, sempre foi atividade considerada própria do sexo masculino.” (Linhas 01-03)
De acordo com o texto, uma justificativa para essa ideia é a de que: