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  • Órgãos: Câmara de Matão - SP
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#1722026
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Fumaça proibicionista

        Especialistas apontam várias razões de saúde para conter a disseminação de cigarros eletrônicos. Cabem, no entanto, dúvidas sobre a eficácia e objeções quanto ao fundamento da decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de manter a proibição baixada em 2009.
        Há indícios convincentes de que os dispositivos funcionem como porta de entrada para o hábito de fumar. Podem, assim, originar ou manter a dependência química. Levantamento da Fiocruz indicou que jovens usuários de cigarros eletrônicos têm risco maior de se tornarem tabagistas na idade adulta. Segundo a Associação Médica Brasileira, cerca de 80 aerossóis neles produzidos contêm substâncias tóxicas. Pior, algumas delas são potencialmente cancerígenas.
        Apesar disso e da proibição ora reiterada pela agência federal, os produtos se encontram à venda em toda parte pelo Brasil. Entram no país por meio de contrabando. As danosas engenhocas se tornaram populares entre adolescentes. Além de simbolizar status social, carregam como atrativo a adição de sabores de fruta ou refrescantes ao líquido vaporizado.
        Em mais de uma década de proibição no território nacional, autoridades se mostraram impotentes em coibir a comercialização. A proibição, apenas, não terá o condão de produzir tal resultado. Informar e desestimular o consumo pode ser mais produtivo que tentar erradicá-lo. Com álcool e outras drogas, o proibicionismo já se comprovou ineficaz e de alto custo social.
        A solução racional é regulamentar o uso adulto, dado que não cabe ao Estado determinar o que indivíduos autônomos decidem sobre o próprio corpo. Mas há que prover meios para a fiscalização de normas rigorosas quanto a teores e vendas, além de campanhas educativas sobre malefícios à saúde.

(Editorial. Folha de S. Paulo. 08.07.2022. Adaptado) 

No Editorial, a vedação da Anvisa ao cigarro eletrônico é questionada sob o argumento de que

  • a posição de especialistas contraria a afirmação do órgão de que o consumo do produto esteja se alastrando entre os jovens.
  • a proibição poderia reverter a queda histórica do consumo de tabaco e aumentar a incidência de alguns problemas de saúde.
  • o consumo do produto tem sido uma opção ao hábito de fumar, evitando-se o desenvolvimento da dependência química.
  • o cigarro comum, que carrega grande variedade de substâncias tóxicas, é que deveria ter o comércio vedado pelo órgão.
  • a mera proibição, sem uma fiscalização rigorosa, tem se mostrado ineficiente para coibir a comercialização do produto.
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