A ação operacional das polícias tem sido cada vez mais objeto de análise dos tribunais,
por conta dos seus reflexos de forma direta ou indireta em relação aos direitos e garantias
constitucionais dos investigados e da população em geral. Sendo assim, analise as assertivas abaixo
em relação às normas constitucionais e à jurisprudência do Supremo Tribunal Federal a respeito da
ação operacional dos policiais:
I. A respeito da previsão contida no inciso XI do art. 5º da Constituição Federal, segundo o qual “a
casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do
morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o
dia, por determinação judicial”, a jurisprudência do STF entende que, no que toca o flagrante
delito, a entrada forçada em domicílio sem mandado judicial só é lícita, mesmo em período
noturno, quando amparada em fundadas razões, devidamente justificadas a posteriori, que
indiquem que dentro da casa ocorre situação de flagrante delito, sob pena de responsabilidade
disciplinar, civil e penal do agente ou da autoridade e de nulidade dos atos praticados. Dessa
forma, por um lado, pode-se dizer que a justa causa não exige certeza de ocorrência do delito e,
por outro lado, tanto o nervosismo quanto a tentativa de fuga dos suspeitos podem indicar as
fundadas razões a justificar a entrada policial em domicílio sem mandado judicial prévio.
II. Por força de previsão constitucional expressa, o preso será informado de seus direitos, entre os
quais o de permanecer calado. Esse direito, de certa forma, aplica-se não apenas ao momento
formal do interrogatório policial e judicial, mas também, por força de entendimento do STF, ao
momento da abordagem policial, sob pena de ilicitude da prova, tendo em vista os princípios da
não autoincriminação e do devido processo legal.
III. A Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) é uma ação que cabe para
contestar leis, atos normativos ou atos do poder público que violem preceitos fundamentais da
Constituição, isto é, valores e princípios que dão identidade à Constituição. Segundo previsão
expressa da Constituição, essa ação é julgada pelo STF, sendo que seu processamento segue as
regras da Lei nº 9.882/1999. A ADPF é uma ação cabível, entre outros aspectos, para atos
normativos anteriores à Constituição, normas municipais e até atos do poder público. No âmbito
da ADPF 635, por meio da qual é discutida a letalidade dos agentes de segurança pública no
Estado do Rio de Janeiro, estão sendo analisadas as violações de alguns preceitos fundamentais,
tais como o direito à vida, o princípio da dignidade da pessoa humana, o princípio da proibição de
tortura e tratamentos desumanos ou degradantes, os princípios da segurança pública, como a
prevenção de conflitos e a preservação da ordem pública, e o próprio acesso à Justiça e o dever
de investigação eficaz. Nessa ação, diversas decisões liminares do STF foram tomadas, entre as
quais consta a determinação para que o governo estadual elabore um plano para solucionar o
problema, devendo adotar a instalação de câmeras e equipamentos de geolocalização (GPS) nas
fardas de policiais, a gravação em áudio e vídeo em viaturas, a proibição de que escolas, creches,
hospitais ou postos de saúde sejam utilizados como base para operações policiais e a restrição ao
uso de helicópteros nas comunidades, exceto em casos de estrita necessidade, comprovada por
relatório no final da operação.
Quais estão corretas?
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