Cultura do ‘melhor aluno’ prejudica maioria dos
estudantes no Brasil?
Letícia Mori
A educação no Brasil não é pensada para garantir o sucesso
de todos os alunos, mas para privilegiar os que são
considerados os “melhores” estudantes. Essa é a conclusão do
pedagogo Ocimar Munhoz Alavarse, professor da Faculdade
de Educação da Universidade de São Paulo (USP) e
coordenador do Grupo de Estudos e Pesquisas em Avaliação
Educacional (Gepave). Ele chama essa postura de
“pensamento olímpico”, porque certos alunos seriam educados
para serem os “campeões” — como se a educação fosse uma
Olimpíada — enquanto as necessidades da maioria dos alunos
seriam deixadas de lado. Como consequência, diz Alavarse, os
“melhores alunos” recebem mais atenção, incentivo e elogios
para potencializar seu desenvolvimento, enquanto alunos com
mais dificuldades são deixados para trás.
Alavarse diz que, embora o “pensamento olímpico” não faça
parte oficialmente de uma política educacional, é algo arraigado
e bastante comum no comportamento de muitos professores,
diretores, gestores escolares e políticos. “É claro que nos
documentos oficiais ninguém assume uma postura seletiva
para a escolarização, mas todo mundo que já esteve em uma
sala dos professores sabe que sempre existe o que é
considerado o ‘bom aluno’”, afirma. “Sempre existem aqueles
que acreditam que a escola é para escolher os melhores”. Um
exemplo seria as políticas públicas que premiam professores
conforme os bons resultados dos seus alunos, segundo o
pesquisador.
“É uma ideia totalmente equivocada”, diz ele, “porque não faz
sentido exigir performance dos professores sem fornecer as
condições mínimas de trabalho e de estrutura” [...]. Alavarse diz
que um equívoco comum é considerar as avaliações em si a
raiz do problema – o que não é o caso, diz ele. A lógica
“olímpica” para a educação não vem de haver testes, mas da
forma como se leem os resultados desses testes, afirma. “É
preciso sim que haja avaliações internas e externas – não para
ranquear os alunos ou escolas, mas para entender
adequadamente quais as necessidades e podermos definir
quais as ações pedagógicas necessárias para garantir o
sucesso de todos”, diz ele.
No trecho “certos alunos seriam educados para serem os
“campeões” — como se a educação fosse uma Olimpíada”,
é possível identificar o segmento em destaque como o
processo de produção de sentido denominado
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