Os mineiros têm um cuidado especial com seus pais.
Nunca os deixam a sós com suas lembranças.
Levam-nos para jantar, festas e praças, com orgulho do
carinho público no braço dado e no beijo na cabeça
grisalha. Aqui, não há idade para sair. Os idosos seguem
frequentando bares e shows, enquanto há vida e
esperança.
Ser adulto em Minas não significa deixar de ser filho. Os
mineiros cedem espaço ao passado, envaidecidos por
ajudar. Estão presentes até o último suspiro dos pais,
traduzindo suas últimas palavras como tradutores da
transcendência. E, mesmo após a partida, os filhos
mineiros não se despedem de imediato; choram ao longo
dos anos, com lágrimas que saciam a saudade.
As casas mineiras guardam relíquias familiares − móveis,
quadros, livros − como um museu de amor. Mais que
decoração, esses objetos carregam a alma da família.
Nada é descartado: um radinho, um relógio parado,
pratos de porcelana, ou uma cadeira de varanda. Tudo
mantém viva a memória.
Para os mineiros, o passado é uma bênção. A cidade
natal não é só onde nasceram, mas onde repousam os
mortos. É comum desejar ser enterrado junto aos pais,
sangue do mesmo sangue, no interior, perpetuando o
laço familiar.
No trecho "Nada é descartado: um radinho, um
relógio parado, pratos de porcelana, ou uma cadeira
de varanda.", o autor utiliza uma enumeração de
objetos para:
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