A vida é selvagem. Esse é um elemento essencial para um
pensamento que tem me provocado: como a ideia de que a vida é
selvagem poderia incidir sobre a produção do pensamento
urbanístico hoje? É uma convocatória a uma rebelião do ponto de
vista epistemológico, de colaborar com a produção de vida.
Quando falo que a vida é selvagem, quero chamar a atenção para
uma potência de existir que tem uma poética esquecida,
abandonada pelas escolas, formadoras de profissionais que
perpetuam a lógica de que a civilização é urbana, de que tudo fora
das cidades é bárbaro, primitivo – e que a gente pode tacar fogo.
Como atravessar o muro das cidades? Quais possíveis implicações
poderiam existir entre comunidades humanas que vivem na
floresta e as que estão enclausuradas nas metrópoles? Pois se a
gente conseguir fazer com que continuem existindo florestas no
mundo, existirão comunidades dentro delas. Eu vi um número que
a World Wide Fund for Nature (WWF) publicou em um relatório,
dizendo que 1,4 bilhão de pessoas no mundo dependem da
floresta, no sentido de ter uma economia ligada a ela. Não é a
turma das madeireiras, não: é uma economia que supõe que os
humanos que vivem ali precisam de floresta para viver.
A antropóloga Lux Vidal escreveu um trabalho muito importante
sobre habitações indígenas, no qual relaciona materiais e
conceitos que organizam a ideia de habitat equilibrado com o
entorno, com a terra, o Sol, a Lua e as estrelas. Um habitat que
está integrado ao cosmos, diferente desse implante que as cidades
viraram no mundo. Aí eu me pergunto: como fazer a floresta existir
em nós, em nossas casas, em nossos quintais? Podemos provocar
o surgimento de uma experiência de florestania começando por
contestar essa ordem urbana sanitária ao dizer: eu vou deixar o
meu quintal cheio de mato, quero estudar a gramática dele. Como
eu acho no meio do mato um ipê, uma peroba rosa, um jacarandá?
E se eu tivesse um buritizeiro no quintal?
Assinale a opção em que o sufixo forma um adjetivo.
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