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#2733624

                                                     A lanterninha

    Apaguei todas as luzes, e não foi por economia; foi porque me deram uma lanterna de bolso, e tive a ideia de fazer a experiência de luz errante.
    A casa, com seus corredores, portas, móveis e ângulos que recebiam iluminação plena, passou a ser um lugar estranho, variável, em que só se viam seções de paredes e objetos, nunca a totalidade. E as seções giravam, desapareciam, transformavam-se. Isso me encantou. Eu descobria outra casa dentro da casa.
    A lanterna passava pelas coisas com uma fantasia criativa e destrutiva que subvertia o real. Mas que é o real, senão o acaso da iluminação? Apurei que as coisas não existem por si, mas pela claridade que as modela e projeta em nossa percepção visual. E que a luz é Deus.
    A partir daí entronizei minha lanterninha em pequeno nicho colocado na estante, e dispensei-me de ler os tratados que me perturbavam a consciência. Todas as noites retiro-a de lá e mergulho no divino. Até que um dia me canse e tenha de inventar outra divindade.


                                                                            (ANDRADE, Carlos Drummond de. Contos plausíveis.
                                                                                                Rio de Janeiro: José Olympio, 1985, p. 25)

Atente para as seguintes frases:

I. Deram-me uma lanterna de bolso.

II. Passei a projetar a luz da lanterna nos cantos da casa.

III. Os cantos da casa não me eram mais familiares.

IV. A luz da lanterna transfigurava os cantos da casa.

As frases acima estão articuladas de modo claro, coerente e correto no seguinte período:

  • A lanterna de bolso, que me deram, passei a projetar sua luz nos cantos da casa que, antes familiares, eram assim transfigurados por aquela luz.
  • A luz da lanterna de bolso que me deram passei a projetar nos cantos da casa, tão familiares, cujos passaram a ser então transfigurados.
  • Me deram uma lanterna de bolso em cuja luz passei a projetar nos cantos da casa que, à essa altura, não me eram mais familiares, porquanto transfigurados.
  • Deram-me uma lanterna de bolso, cuja luz passei a projetar nos cantos da casa, que, até então familiares, estavam agora transfigurados.
  • A lanterna de bolso que me deram tinha uma luz que me pus a projetar sobre os cantos da casa, cuja familiaridade era agora como que se estivessem transfigurados.
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