Cadernos de Questões

Provas Favoritas

Filtros Salvos

Foi encontrada 1 questão.
#1591767
Texto da Questão:

      Sem chance de contestação, aquele foi mesmo um grande acontecimento na cidade. O palco do auditório Araújo Vianna – reinaugurado um ano antes, em março de 1964, no Parque da Redenção, depois de ocupar por quase quatro décadas a Praça da Matriz, de onde saiu para dar lugar à nova sede da Assembleia Legislativa –, estava repleto de som, luzes e gente, ah, muita gente, para dar vida à ópera Aida, de Giuseppe Verdi.

      Na ponta do lápis, havia ali 100 músicos da Ospa, 130 cantores do Coral da Ufrgs e ao menos 30 bailarinas da academia de João Luís Rolla. Soldados da Brigada Militar se dividiam entre os papéis de guerreiros e escravos. Parrudos halterofilistas recrutados na Academia Hércules apareciam como guardas do faraó e, por fim, tratadores do Parque Zoológico de Sapucaia do Sul adentravam a cena para cuidar dos figurantes de outras espécies – macacos, cavalos, dromedários e leões, estes últimos enjaulados, obviamente.

      Um mês antes, o maestro Pablo Komlós (regente da Ospa e diretor artístico da Ufrgs) havia passado pelas salas de aula para convidar os estudantes a participarem do coral da universidade. Numa das classes, a de Anatomia, do curso de Medicina, estudava Jair Ferreira, frequentador assíduo dos festivais de coros no Salão de Atos da Ufrgs. Bastou um mês de ensaios para que o barítono, fantasiado de egípcio, pisasse no palco pela primeira vez em sua vida.

      Por certo, era hereditária a paixão pela música do jovem que se tornaria epidemiologista do Hospital das Clínicas de Porto Alegre. A mãe não só tinha nome de cantora – Dalva, a exemplo de Dalva de Oliveira –, como sabia de cor desde cantigas de carnaval até árias de óperas. “A gente chorava ao ouvir sua voz de soprano delicado”, elogia.

      No conjunto de três sobrados geminados que compõem o cenário das reminiscências da infância em Rio Grande, as paredes generosamente deixavam escorrer notas musicais de uma casa para a outra. Uma das vizinhas tocava piano pontualmente às nove da noite – justo o horário em que Jair se recolhia, afinal, precisava pular da cama cedinho para ir à escola. Quase toda a noite, ele dormia ao som da Marcha Turca, de Mozart, mágico portal de entrada para o devaneio dos sonhos.

                                    (Excerto de Paulo César Teixeira, Nega Lu, Porto Alegre, Libretos, 2015) 

Conforme o texto:

  • Ainda que as óperas fossem de costume montadas no auditório Araújo Vianna,Aida, contando com os mais diversos segmentos da sociedade civil, teve lugar na nova sede da Assembleia Legislativa, marcando sua inauguração.
  • Ao modo dos soldados da Brigada Militar, a montagem da óperaAidamarca na vida de Jair Ferreira, hoje médico do Hospital das Clínicas de Porto Alegre, seu primeiro contato com a música clássica.
  • então recém-formado coral que participou da montagem da óperaAida, ao lado dos músicos profissionais da Ospa, era composto de estudantes da Ufrgs, dentre eles, Jair Ferreira, aluno de Medicina.
  • A infância na cidade de Rio Grande foi de fundamental importância para Jair Ferreira na escolha de sua carreira profissional como epidemiologista, que não teria sido a mesma sem a influência de Pablo Komlós.
  • Quando da montagem da óperaAida, havia um ano que Porto Alegre passava a contar com um novo palco, o auditório Araújo Vianna, que então recebeu a orquestra da Ospa, ao lado do coral da Ufrgs, ambos compostos de músicos amadores.
Fale com IAgo
IAgo - Assistente IAProva
IA
Olá! Sou o IAgo, seu assistente aqui no IAProvatec 😊
Veja como posso te ajudar:
Agora