“É natural no ser humano o desejo de conhecer.” Quando li pela
primeira vez essa sentença inicial da Metafísica de Aristóteles,
mais de quarenta anos atrás, ela me pareceu um grosso exagero.
Afinal, por toda parte onde olhasse – na escola, em família, nas
ruas, em clubes ou igrejas – eu me via cercado de pessoas que
não queriam conhecer coisíssima alguma, que estavam
perfeitamente satisfeitas com suas ideias toscas sobre todos os
assuntos, e que julgavam um acinte a mera sugestão de que, se
soubessem um pouco mais a respeito, suas opiniões seriam
melhores.
Precisei viajar um bocado pelo mundo para me dar conta de que
Aristóteles se referia à natureza humana em geral, e não à cabeça
dos brasileiros. De fato, o traço mais conspícuo da mente dos
nossos compatriotas era o desprezo humano pelo conhecimento,
acompanhado de um neurótico temor reverencial aos seus
símbolos exteriores: diplomas, cargos, espaço na mídia.
(fragmento adaptado)
Olavo de Carvalho, Diário do Comércio, 10/01/2011.
“De fato, o traço mais conspícuo da mente dos nossos
compatriotas...”
O vocábulo “conspícuo” mostra, no texto, o significado de
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