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As elites políticas à frente dos movimentos de independência africanos poucas vezes colocaram em discussão o desmantelamento das fronteiras coloniais, mesmo cientes de que estas não correspondiam à racionalidade das culturas africanas. Assim, confirmados pelos Estados nacionais, os traçados das fronteiras coloniais permanecem, no seu conjunto, até os dias de hoje, por vezes potencializando uma série de conflitos. São clássicos os casos recentes dos sérios conflitos em Serra Leoa, na Libéria, em Angola, em Ruanda, na República Democrática do Congo e no Sudão, para mencionar apenas alguns.
(Leila Leite Hernandez, A África na sala de aula: visita à história contemporânea. Adaptado)
O contexto apresentado pelo fragmento demonstra que

  • os conflitos étnicos e nacionais são recorrentes na África, desde o início do processo de descolonização, provocados pela intransigência dos organismos internacionais em reconhecer a competência política das elites africanas.
  • o secular desconhecimento, da maior parte das sociedades africanas, de estruturas estatais, impulsionou uma ação colonizadora preocupada em traçar fronteiras respeitando as divisões culturais do continente.
  • as guerras internas na África, embora consideradas como “questões étnicas”, são frutos de manipulação política, segundo interesses de setores das elites africanas associados a empresas europeias e norte- -americanas.
  • a neocolonização e a consequente descolonização foram processos fundamentais para estabelecer um marco civilizatório em grande parte do continente africano, sendo que os conflitos étnicos são eventos excepcionais.
  • as potências neocolonialistas europeias provocaram transformações basilares em grande parte da África, pautadas por ações humanitárias e bastante atentas em respeitar as tradições culturais de cada espaço.
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