Os poetas cansam-nos a paciência a falarem do amor
da mulher aos quinze anos, como paixão perigosa, única e
inflexível. Alguns prosadores de romance dizem o mesmo.
Enganam-se ambos. O amor dos quinze anos é uma brincadeira; é a última manifestação do amor às bonecas; é a
tentativa da avezinha que ensaia o voo fora do ninho, sempre
com os olhos fitos na ave-mãe, que a está da fronde próxima
chamando: tanto sabe a primeira o que é amor muito, como a
segunda o que é voar para longe.
(Camilo Castelo Branco, Amor de Perdição, 1994)
Ao apresentar a concepção de amor de poetas e de
alguns prosadores, o narrador estabelece um comentário
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