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Das figuras políticas é interessante destacar como têm sido representados [nos livros didáticos] os dois imperadores do Brasil: D. Pedro I, sempre jovem, porque afinal morreu com 34 anos; seu filho D. Pedro II, sempre velho, apesar dos textos escolares darem destaque ao episódio da “Maioridade” [...]. A ilustração do pai jovem e do filho velho tem causado uma certa perplexidade aos jovens leitores e falta a explicação do aparente paradoxo.



(Circe M.F. Bittencourt. Livros didáticos entre textos e imagens.

Em: Circe M.F. Bittencourt (org.). O saber histórico na sala de aula)



De acordo com a historiadora, o “aparente paradoxo” 

  • tem suas raízes no próprio período monárquico, em que a família imperial, desejosa de firmar uma imagem de poder político, sabedoria e valores, propagou a imagem de um imperador, no caso D. Pedro II, mais experiente.
  • decorre em razão de as pesquisas e produções historiográficas sobre o período monárquico, pela precariedade tecnológica da época, carecerem de fontes fidedignas de imagens que retratassem o filho em diferentes fases da vida.
  • explica-se pelo fato de que a imagem de um D. Pedro II velho foi construída no período pós-monárquico e demonstra a intenção dos republicanos em propagar a imagem da queda de uma monarquia envelhecida.
  • está presente nos livros didáticos no século XX, pois, no período, a produção não se ancorava em pesquisas historiográficas com caráter científico, em razão do atendimento às demandas comerciais do mercado.
  • é visto hoje como resultado do despreparo dos historiadores do século XX, para o uso de imagens como recurso pedagógico ou como fonte, perpetuando-se o conceito positivista utilizado para documento histórico.
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