Não me impressiona tanto a notícia de que uns alemães
puseram para andar no mercado um sapato capaz de acompanhar, até o limite de dois centímetros, o crescimento dos
pés da garotada. Se me permitem, minha mãe fez melhor,
ou fez antes, sem a pretensão de revolucionar o que quer
que fosse.
Naquele tempo, a década de 50 (do século 20, por favor),
não se usava comprar roupa pronta. Não que não existissem
lojas de roupa. Era mais econômico mandar fazer.
Havia sempre na cidade uma pessoa jeitosa que costurava “para fora” e à qual se podia encomendar quase todo o
guarda-roupa familiar a ser acondicionado, aliás, num guarda-roupa, trambolho que provinha, esse sim, de alguma loja,
pois não se disseminara ainda a prática de embutir armários.
Acontecia também de se convocar a tal pessoa para se instalar, de mala, cuia, tesoura e agulha, na residência da família,
e ali pedalar, dias a fio, uma máquina de costura.
Em nossa casa costumava pousar a bem-humorada
Noésia, exímia na arte de produzir himalaias de roupa. Foi
Noésia quem confeccionou as prodigiosas calças que não
paravam de espichar. Mas foi mamãe quem garimpou, sabe
Deus em que atacadista, a peça de linho cinzento com que
elas foram feitas. Deixa que eu dou jeito, dona Wanda, dizia
Noésia a cada nova temporada em casa e, pela enésima vez,
tome encurtar as barras.
(Humberto Werneck,
O espalhador de passarinhos & outras crônicas. Adaptado)
Assinale a alternativa em que uma vírgula foi corretamente acrescentada a um trecho do texto, sem alteração
do sentido original.
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