Episódios de violência envolvendo torcedores de futebol, dentro ou fora das arenas esportivas, são uma antiga e
deplorável rotina no Brasil. Brigas organizadas pela internet,
confrontos no transporte público e agressões variadas se sucedem, não raro provocando mortes.
Foi o que aconteceu em Belo Horizonte em 06.03.2022,
um domingo em que as duas principais agremiações mineiras disputaram uma partida pelo campeonato estadual.
Não foi o único enfrentamento deste ano, que vai acumulando uma série preocupante de casos em diferentes localidades.
Diante de tal realidade, cabe perguntar por que dirigentes
da área esportiva e autoridades da segurança pública não
tomam as medidas necessárias para encerrar ou pelo menos
conter esses torneios de estupidez agressiva.
O mais exasperante é que depois de experiências bem-sucedidas na Europa, em especial no Reino Unido, o Brasil
conseguiu avançar na aprovação de leis voltadas para a violência no esporte.
Lamentavelmente, o Estatuto do Torcedor, que prevê punições severas, não é aplicado. Essa é a diferença entre o
que acontece no Brasil e em países europeus.
Não é aceitável que esse estado de coisas perdure. Nada
justifica que os responsáveis pela organização do futebol e
pelas instituições públicas abordem o assunto de modo negligente, como se esse tipo de truculência fosse parte de uma
realidade imutável.
(Editorial, Folha de S.Paulo, 11.03.2022. Adaptado)
Na passagem – Essa é a diferença entre o que acontece
no Brasil e em países europeus. (6º
parágrafo) –, o pronome destacado tem função coesiva, referindo-se à
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