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#1786097
Texto da Questão:

Furto em Flor


    Furtei uma flor daquele jardim. O porteiro do edifício cochilava e eu furtei a flor.

    Trouxe-a para casa e coloquei-a no copo com água. Logo senti que ela não estava feliz. O copo destina-se a beber, e flor não é para ser bebida.

    Passei-a para o vaso, e notei que ela me agradecia, revelando melhor sua delicada composição. Quantas novidades há numa flor, se a contemplarmos bem. Sendo autor do furto, eu assumira a obrigação de conservá-la. Renovei a água do vaso, mas a flor empalidecia. Temi por sua vida. Não adiantava restituí-la ao jardim. Nem apelar para o médico de flores. Eu a furtara, eu a via morrer.

    Já murcha, e com a cor particular da morte, peguei-a docemente e fui depositá-la no jardim onde desabrochara. O porteiro estava atento e repreendeu-me:

— Que ideia a sua vir jogar lixo de sua casa neste jardim!

(ANDRADE, Carlos Drummond de. Contos Plausíveis.

In: ANDRADE, Carlos Drummond de. Prosa e Poesia, 8. ed.

Rio de Janeiro: Nova Aguiar, 1992. p. 1266.

Assinale a alternativa em que a concordância verbal e a regência nominal estão em conformidade com a norma-padrão.

  • A maior parte das pessoas me condenaria, assim como o porteiro, afinal, é difícil permanecer alheio a um furto.
  • Devem haver bons motivos para flor empalidecer, compatíveis as minhas ações.
  • Plantei-a no vaso, renovei sua água, contemplei-a, mas os atos não tem sentido se agirmos contrariamente com o que deveríamos.
  • Sou eu sofrerei as consequências de tê-la furtado, sempre acostumado a ter tudo em minhas mãos.
  • Tratam-se de questões de honra e afeto, apeguei-me à flor, não seria a obediência com as regras que me impediria de devolvê-la ao jardim.
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