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#1786096
Texto da Questão:

Furto em Flor


    Furtei uma flor daquele jardim. O porteiro do edifício cochilava e eu furtei a flor.

    Trouxe-a para casa e coloquei-a no copo com água. Logo senti que ela não estava feliz. O copo destina-se a beber, e flor não é para ser bebida.

    Passei-a para o vaso, e notei que ela me agradecia, revelando melhor sua delicada composição. Quantas novidades há numa flor, se a contemplarmos bem. Sendo autor do furto, eu assumira a obrigação de conservá-la. Renovei a água do vaso, mas a flor empalidecia. Temi por sua vida. Não adiantava restituí-la ao jardim. Nem apelar para o médico de flores. Eu a furtara, eu a via morrer.

    Já murcha, e com a cor particular da morte, peguei-a docemente e fui depositá-la no jardim onde desabrochara. O porteiro estava atento e repreendeu-me:

— Que ideia a sua vir jogar lixo de sua casa neste jardim!

(ANDRADE, Carlos Drummond de. Contos Plausíveis.

In: ANDRADE, Carlos Drummond de. Prosa e Poesia, 8. ed.

Rio de Janeiro: Nova Aguiar, 1992. p. 1266.

Pela passagem “Sendo autor do furto, eu assumira a obrigação [...] eu a via morrer.” (§3º ), conclui-se corretamente que a atitude do narrador foi de

  • isenção, ao perceber que a flor iria morrer.
  • responsabilidade, por sentir-se arrependido por tê-la furtado.
  • egoísmo, por não tentar levá-la ao médico de flores.
  • apreço, por tê-la restituído ao jardim do edifício vizinho.
  • negligência, por não lhe dar água suficiente para sua sobrevivência.
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