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#2258711
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Uma noite no mar Cáspio

   Na semana passada, uma aluna da Sorbonne foi encarregada de fazer um estudo sobre a literatura latino-americana, mal informada de tudo, inclusive sobre a América Latina. Veio entrevistar algumas pessoas e, não sei por que, pediu-me que a recebesse para uma conversa que pudesse explicar o Brasil com apenas um título que serviria de roteiro para o trabalho que deveria apresentar.

   Já me pediram coisas extravagantes, recusei algumas, aceitei outras. Aleguei minha incompetência para titular qualquer coisa.

   Mas não quis decepcionar a moça. Pensando na atual crise política, sugeri “Garruchas e punhais” – era o nome da briga entre os meninos da rua Cabuçu contra os meninos da rua Lins de Vasconcelos. Morei nas duas e era considerado um espião a soldo de uma ou de outra. O que no fundo era verdade, considerava idiotas os dois lados.

   A moça riu mas não gostou. Todos os países têm garruchas e punhais. Dei outra sugestão: “O mosteiro de tijolos de feltro”. Ela não gostou – nem eu. Parti então para uma terceira via, por sinal, a mais estúpida. Pensou um pouco, inicialmente recusou. Olhou bem para mim e aprovou: “Uma noite no mar Cáspio”. Para meu espanto, ela aceitou.

   Acredito que os professores da Sorbonne também gostarão. E eu nem sei onde fica o mar Cáspio, embora também não saiba onde fica o Brasil.

(Carlos Heitor Cony. Folha de S.Paulo, 26.01.2016. Adaptado)

Quando a aluna da Sorbonne aceita o título “Uma noite no mar Cáspio” para seu estudo sobre a literatura latino- -americana, o narrador espanta-se, porque se trata de uma sugestão que ele considera

  • muito poética, provavelmente por adequar-se ao tema do objeto desse estudo, o que contraria a ideia de que a aluna desconhecesse o assunto.
  • bastante adequada, provavelmente acatada pela aluna de forma reticente devido à sua falta de conhecimento do objeto desse estudo.
  • muito estúpida, provavelmente por ser óbvia em relação ao objeto desse estudo, o que revela a falta de criatividade de ambos para sintetizar o assunto.
  • pouco inteligente, provavelmente por não estar relacionada ao objeto desse estudo, o que acaba por comprovar a falta de conhecimento da aluna.
  • pouco consistente, provavelmente pelo fato de que ele, sem assumir, ignorava, da mesma forma que a aluna, o objeto desse estudo.
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