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#3687393
Texto da Questão:

Não há educação fora das sociedades humanas e não há homem no vazio. O esforço educativo que desenvolveu o Autor e que pretende expor neste ensaio, ainda que tenha validade em outros espaços e em outro tempo, foi todo marcado pelas condições especiais da sociedade brasileira. Sociedade intensamente cambiante e dramaticamente contraditória. Sociedade em “partejamento”, que apresentava violentos embates entre um tempo que se esvaziava, com seus valores, com suas peculiares formas de ser, e que “pretendia” preservar-se e um outro que estava por vir, buscando configurar-se. Este esforço não nasceu, por isso mesmo, do acaso. Foi uma tentativa de resposta aos desafios contidos nesta passagem que fazia a sociedade. Desde logo, qualquer busca de resposta a estes desafios implicaria, necessariamente, numa opção. Opção por esse ontem, que significava uma sociedade sem povo, comandada por uma “elite” superposta a seu mundo, alienada, em que o homem simples, minimizado e sem consciência desta minimização, era mais “coisa” que homem mesmo, ou opção pelo Amanhã. Por uma nova sociedade, que, sendo sujeito de si mesma, tivesse no homem e no povo sujeitos de sua História. Opção por uma sociedade parcialmente independente ou opção por urna sociedade que se “descolonizasse” cada vez mais. Que cada vez mais cortasse as correntes que a faziam e fazem permanecer como objeto de outras, que lhe são sujeitos

A partir das reflexões de Paulo Freire sobre o processo educativo vinculado às transformações da sociedade brasileira, é possível inferir que a escolha pedagógica delineada no trecho:

  • expressa a necessidade de romper com estruturas históricas que mantinham o povo em posição de subalternidade, orientando a educação para a formação de sujeitos conscientes de sua própria história.
  • decorre de um diagnóstico segundo o qual a permanência dos valores tradicionais garantiria a construção de uma sociedade mais crítica e dotada de protagonismo popular.
  • sugere que a educação deveria preservar os elementos do “ontem”, pois estes asseguravam uma organização social estável, ainda que em transição.
  • fundamenta-se na premissa de que a neutralidade pedagógica é indispensável para lidar com períodos de intensas contradições sociais, evitando posicionamentos que comprometam a universalidade do ensino.
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