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#2265731

Desde que as políticas de saúde passaram a priorizar a  atenção  primária  como  forma  de  fazer  frente  às  questões  contemporâneas  de  saúde,  a  saúde  promocional  tornou‐se parte importante das políticas setoriais e, em sua formulação  mais  abrangente,  não  visa  imputar  responsabilidade  às  pessoas.  A  moderna  concepção  de  promoção  da  saúde,  segundo  Márcia  Westphal  (2006),  tem  por  base  cinco  princípios:  uma  concepção  holística  de  saúde,  voltada  à  multicausalidade  do  processo  saúde‐doença;  a  equidade  como  forma  de  enfrentar  as  desigualdades  estruturais,  relacionada,  portanto,  à  distribuição  desigual  dos  determinantes  da  saúde  na  população;  a  intersetorialidade  como estratégia para dar conta da complexidade do processo  saúde‐doença; a participação social na definição das políticas, no controle social e na avaliação das ações e dos serviços; e a sustentabilidade como forma de garantir ações duradouras.
Mary Jane Spink. Psicologia social e políticas de existência:   fronteiras e conflitos. Bernardes e Medrado (orgs.).   1.ª ed. Maceió: ABRAPSO, 2009 (com adaptações). 
Segundo Mary Jane Spink, 

  • o cuidado em saúde deve superar o velho paradigma de saúdeversusdoença e ampliar seu conceito, atentando para a produção multicausal da saúde, que considera o sujeito integralmente, e a política de saúde precisa incorporar políticas e ações de promoção da saúde.
  • a concepção holística de saúde prevê que a prática psicológica na atenção básica deve analisar as práticas alternativas como forma de intervenção e que tais práticas, ainda hoje, não são consideradas pela ciência tradicional e foram excluídas da grade curricular dos cursos de psicologia, provocando um descompasso entre a promoção da saúde e o modelo com base na patologia.
  • o Sistema Único de Saúde (SUS) não está preparado para aplicar noções de equidade e intersetorialidade nem a compreensão da multicausalidade do processo saúde‐doença. Assim, não se pode falar de saúde promocional na atenção básica à saúde no caso brasileiro.
  • por políticas setoriais entende‐se que imputar responsabilidades aos usuários do SUS seja um equívoco, sabendo que o paciente não deve ser o responsável pelo cuidado pessoal à sua saúde. Essa responsabilidade é do técnico que acompanha o caso e reúne o saber necessário para as decisões clínicas necessárias.
  • por atenção primária entende‐se o primeiro diagnóstico, que deve ser realizado por técnico especializado e em condições adequadas de atendimento, nem sempre observadas pela estrutura pública de atenção à saúde.
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