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#2538974
Texto da Questão:

Texto III

Já era tarde. Augusto amava deveras, e pela primeira vez em sua vida; e o amor, mais forte que seu espírito, exercia nele um poder absoluto e invencível. Ora, não há ideias mais livres que as do preso; e, pois, o nosso encarcerado estudante soltou as velas da barquinha de sua alma, que voou, atrevida, por esse mar imenso da imaginação; então começou a criar mil sublimes quadros e em todos eles lá aparecia a encantadora Moreninha, toda cheia de encantos e graças. Viu-a, com seu vestido branco, esperando-o em cima do rochedo, viu-a chorar, por ver que ele não chegava, e suas lágrimas queimavam-lhe o coração.

(Joaquim Manuel de Macedo. A Moreninha. São Paulo: Ática, 1997, p.125.)



Texto IV

Quadrilha

João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili que não amava ninguém. João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,

Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia, Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes que não tinha entrado na história.

(Carlos Drummond de Andrade. Reunião. Rio de Janeiro: José Olympio, 1973, p. 19.)

Nos textos III e IV, uma mesma temática é trabalhada, com tratamentos diversos, no entanto. Em relação à percepção de amor evidente nos textos de Joaquim Manuel de Macedo e de Carlos Drummond de Andrade relacionam-se todas as assertivas, exceto:

  • A concepção de amor no texto III indica um tom crítico e irônico, apontando o desencanto e o desencontro entre as personagens. O tema tratado no texto IV é a idealização do sentimento amoroso; valorização da fantasia e da imaginação; caracterização do poder absoluto do amor sobre as personagens.
  • No texto IV, fala-se sobre os descompassos do amor, sobre os desejos não realizados, sobre o destino frustrando as expectativas dos personagens. Quem nunca amou alguém que amava outra pessoa? Como na dança da quadrilha, os pares se alternam pela vida na busca de saciar a fome ancestral que move a humanidade: o amor. Em Quadrilha o poeta pinta o casamento como mera convenção social, a antítese do amor.
  • No texto III, a idealização do amor puro é uma das principais características que enquadram a obra como romântica. Além disso, o sentimentalismo, a atmosfera de lenda e de sonho, incluem a doce submissão amorosa e as árduas dificuldades que o amor terá de superar para se concretizar.
  • A relação no poema IV é feita ao se fazer a comparação entre quadrilha de são João com uma quadrilha de relacionamentos, na quadrilha de São João a troca de pares é constante, da mesma forma acontece nos versos do poema. Demonstra o descompasso nos relacionamentos amorosos.
  • No texto III, fica claro o estereótipo do homem com caráter reto, corajoso, fiel e absolutamente honesto, enquanto que a heroína destaca-se sob um perfil idealizado, com ar de entidades sobre-humana, quase divina, bem de acordo com os padrões femininos valorizados pelo Romantismo.
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