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#3668034
Texto da Questão:

"Ora, um boato é uma espécie de “enjeitadinho” que aparece à soleira duma porta, num canto de muro ou mesmo no meio duma rua ou duma calçada, ali abandonado não se sabe por quem; em suma, um recém-nascido de genitores ignorados. Um popular acha-o engraçadinho ou monstruoso, toma-o nos braços, nina-o, passa-o depois ao primeiro conhecido que encontra, o qual por sua vez entrega o inocente ao cuidado de outro ou de outros, e assim o bastardinho vai sendo amamentado de seio em seio ou, melhor, de imaginação em imaginação, e em poucos minutos cresce, fica adulto - tão substancial e dramático é o leite da fantasia popular - começa a caminhar pelas próprias pernas, a falar com a própria voz e, perdida a inocência, a pensar com a própria cabeça desvairada, e há um momento em que se transforma num gigante, maior que os mais altos edifícios da cidade, causando temores e às vezes até pânico entre a população, apavorando até mesmo aquele que inadvertidamente o gerou."

(Érico Veríssimo, Incidente em Antares)

Considere o trecho da definição de "boato" de Érico Veríssimo:
"Ora, um boato é uma espécie de enjeitadinho que aparece à soleira duma porta..."
A crase na expressão destacada "à soleira" é obrigatória porque:  

  • "Soleira" é um substantivo feminino que inicia uma locução adverbial de lugar.
  • O verbo "aparecer" exige a preposição "a", e "soleira" é um substantivo feminino determinado pelo artigo "a".
  • Há uma fusão da preposição "a" com um pronome demonstrativo "aquela" subentendido antes de "soleira".
  • Trata-se de uma locução prepositiva feminina que exige o acento grave.
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