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#3280131
Texto da Questão:

Da calma e do silêncio


Quando eu morder

a palavra,

por favor,

não me apressem,

quero mascar,

rasgar entre os dentes,

a pele, os ossos, o tutano

do verbo,

para assim versejar

o âmago das coisas.


Quando meu olhar

se perder no nada,

por favor,

não me despertem,

quero reter,

no adentro da íris,

a menor sombra,

do ínfimo movimento.


Quando meus pés

abrandarem na marcha,

por favor,

não me forcem.

Caminhar para quê?

Deixem-me quedar,

deixem-me quieta,

na aparente inércia.

Nem todo viandante

anda estradas,

há mundos submersos,

que só o silêncio

da poesia penetra.


(Fonte: Conceição Evaristo — adaptado.)

De acordo com o texto, assinalar a alternativa CORRETA:

  • Para reter, dentro da íris, o movimento ínfimo, a autora pede que a despertem, uma forma de conservar a menor sombra de poesia.
  • A autora pede que a deixem quieta, na aparente inércia, para mergulhar em mundos submersos que só a poesia permite penetrar.
  • Ao rasgar a palavra entre os dentes, a autora evita o versejar do âmago das coisas, uma vez que o sentimento a causa sofrimento.
  • De acordo com a autora, o abrandar do passo impede a produção de seus versos, expresso em “Caminhar para quê? Deixem-me quedar”.
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