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#3365067

“(...) A questão central do ensino de Arte no Brasil diz respeito a um enorme descompasso entre a produção teórica, que tem um trajeto de constantes perguntas e formulações, e o acesso dos professores a essa produção, que é dificultado pela fragilidade de sua formação, pela pequena quantidade de livros editados sobre o assunto, sem falar nas inúmeras visões preconcebidas que reduzem a atividade artística na escola a um verniz de superfície, que visa as comemorações de datas cívicas e enfeitar o cotidiano escolar. Em muitas escolas ainda se utiliza, por exemplo, o desenho mimeografado com formas estereotipadas para as crianças colorirem, ou se apresentam “musiquinhas” indicando ações para a rotina escolar (hora do lanche, hora da saída). Em outras, trabalha-se apenas com a auto-expressão; ou, ainda os professores estão ávidos por ensinar história da arte e levar os alunos a museus, teatros e apresentações musicais ou de dança. Há outras tantas possibilidades em que o professor polivalente inventa maneiras originais de trabalhar, munido apenas de sua própria iniciativa e pesquisa autodidata. Essa pluralidade de ações individuais representa experiências isoladas que têm pouca oportunidade de troca, o que se realiza nos eventos, congressos regionais, onde cada vez mais professores se reúnem, mas aos quais a grande maioria não tem acesso. O que se observa, então, é uma espécie de círculo vicioso no qual um sistema extremamente precário de formação reforça o espaço pouco definido da área com relação às outras disciplinas do currículo escolar. Sem uma consciência clara de sua função e sem uma fundamentação consistente de arte como área de conhecimento com conteúdos específicos, os professores não conseguem formular um quadro de referências conceituais e metodológicas para alicerçar sua ação pedagógica; não há material adequado para as aulas práticas, nem material didático de qualidade para dar suporte às aulas teóricas. (...)”

Ministério da Educação, Parâmetros Curriculares Nacionais. Arte/ Secretaria de Educação Fundamental - Brasília: MEC/SEF, 1997.

A partir dessas constatações, os Parâmetros Curriculares Nacionais:

  • Buscam formular princípios que orientem os professores na sua reflexão sobre a delimitação do espaço que a Arte pode ocupar no ensino fundamental, a partir de uma investigação do fenômeno artístico e de como se ensina e como se aprende arte.
  • Compilam conceitos teóricos e metodologias bem sucedidas ao longo do século XX, buscando reaproveitá-las na elaboração de um manual de boas práticas pedagógicas.
  • Reconhecem que a manifestação artística tenha em comum com o conhecimento científico, técnico ou filosófico seu caráter de criação e inovação e a despeito disso propõe que a Arte seja pensada isoladamente.
  • Afirmam arte e ciência como áreas de conhecimento totalmente distintas, sendo a ciência produto do pensamento racional e a arte, pura sensibilidade, sendo a imaginação, para a ciência, prescindível como é para a arte o conhecimento.
  • Entende-se que a arte expressa representações imaginárias das distintas culturas, que se renovam através dos tempos, construindo o percurso da história humana, e que por isso os conteúdos relacionados à ciência são incompatíveis com os conteúdos da disciplina de Arte.
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