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#3365063

O teatrólogo e diretor Augusto Boal, refletindo sobre as funções da arte e da ciência, em seu livro Teatro do Oprimido observa que, segundo Aristóteles, a Natureza tende à perfeição, mas nem sempre a alcança. Nas palavras do autor, “o corpo humano tende à saúde, mas pode enfermar-se. Os homens tendem gregariamente ao Estado perfeito e à vida comunitária, mas podem ocorrer guerras. Diríamos melhor, portanto, que a Natureza tem certos fins em vista, perfeitos, e a eles tende, mas às vezes fracassa. Para isso serve a arte e serve a ciência: para, recriando o princípio criador das coisas criadas, corrigir a natureza naquilo em que haja fracasso. Alguns exemplos: o corpo humano tenderia a resistir à chuva, ao vento e ao sol, mas tal não se dá e a pele não é suficientemente resistente para isso. Entra, pois, em ação a arte da tecelagem, que permite a fabricação de tecidos para a proteção da pele. A arte da arquitetura constrói edifícios e pontes para a habitação do homem e para que cruze os rios. A medicina prepara os medicamentos necessários quando determinado órgão deixe de funcionar como deve. E a política serve igualmente para corrigir as falhas que os homens possam cometer, ainda que tendam todos à vida comunitária perfeita. Esta é a função da arte e da ciência: corrigir as falhas da natureza, utilizando para isso as próprias sugestões da Natureza. (...)”. BOAL, Augusto. Teatro do oprimido. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1991. A partir da análise do texto, pode-se afirmar corretamente que, na perspectiva do Teatro do Oprimido:

  • As artes e as ciências não existem isoladamente, sem que nada as relacione, mas, ao contrário, estão interrelacionadas segundo a atividade própria de cada uma.
  • O teatro, por ser uma atividade humana, como são todas artes e as ciências, não deve ser pensado como uma atividade política, mas em sua dimensão mística a fim de, em contato com a Natureza, corrigir suas falhas.
  • O artista deve dedicar sua vida exclusivamente à sua arte, não sua arte à vida, justamente porque arte e ciências são atividades essencialmente políticas.
  • A emoção, mesmo quando causada pela ignorância, é privilegiada, e a proposta de Brecht de que uma peça de teatro deve terminar em repouso e equilíbrio é imperativa.
  • Refuta-se a busca de Brecht pela instauração de uma nova Poética em que os espectadores não mais “pendurem o cérebro junto com o chapéu antes de entrarem no teatro”.
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