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#3010359

Leia o texto a seguir.

[...] não podemos dizer que no Brasil a juventude brasileira oriunda da classe trabalhadora pode adiar para depois da educação básica ou do ensino superior o ingresso na atividade econômica. Enquanto o Brasil for um país com as marcas de uma história escrita com a exploração dos trabalhadores, no qual estes não têm a certeza do seu dia seguinte, o sistema sócio-político não pode afirmar que o ensino médio primeiro deve “formar para a vida”, enquanto a profissionalização fica para depois. A classe trabalhadora brasileira e seus filhos não podem esperar por essas condições porque a preocupação com a inserção na vida produtiva é algo que acontece assim que os jovens tomam consciência dos limites que sua relação de classe impõe aos seus projetos de vida.

RAMOS, Marise N. Concepção do ensino médio integrado. Curitiba: SEED, 2008, p. 12.


O excerto pertence a um texto no qual a pesquisadora Marise Ramos discute o ensino médio integrado e a situação da juventude brasileira. Ela pondera sobre a factibilidade da premissa de que o ensino médio deve “formar para a vida” visto que, conforme a autora,

  • os educandos mais talentosos devem seguir uma via escolar diferenciada, visto que a escola capitalista distingue, exclui e seleciona os mais capazes, promovendo assim uma invisível distinção de classe no seio mesmo do processo educativo escolar.
  • os estudantes podem ter êxito em sua passagem pela escola, na condição de que mobilizem seus esforços na conjugação dos períodos de estudo e trabalho, algo incontornável para os jovens da classe trabalhadora.
  • o personagem mais importante do processo pedagógico visivelmente é o professor, pois é ele o incumbido da organização do trabalho pedagógico escolar e, nessa medida, aquele que dicotomiza a formação para a vida e o ensino profissional.
  • o jovem ou a jovem da classe trabalhadora, quando adentra a escola, tem seu destino fixado previamente, pois está inscrito nas contradições das relações sociais de produção de nosso modelo societal.
  • os jovens estudantes brasileiros da classe trabalhadora não possuem a opção de postergar o ingresso em uma atividade produtiva remunerada, o que confirma a pertinência de se conceber uma escola na qual a formação geral e a profissional são tratadas em conjunto.
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