“O dito príncipe, para poder conservar Portugal, necessita totalmente das riquezas do Brasil, e
de nenhuma maneira das de Portugal, que não tem, para sustentar o Brasil de que se segue,
que é mais cômodo e mais seguro estar onde se tem o que sobeja, que onde se espera o de que
se carece”.
Texto extraído de: CUNHA, Luís da. Instruções políticas. Lisboa: Abílio Diniz Silva (ed.), 2001, p.366-367 apud
PEDREIRA, Jorge. A economia política do sistema colonial. In: FRAGOSO, João; GOUVÊA, Maria de Fátima (orgs.).
O Brasil Colonial, volume 3 (ca.1720-ca.1821). 1.ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2014. (Parte I – O mundo
português em transformação: o logo século XVIII e Parte II - Transformações na economia e na sociedade), p.420.
Dom Luís da Cunha, na passagem acima, instruiu o rei, reforçando a crença de ser o Brasil uma
“vaca leiteira de Portugal”. Essa crença iria nortear as relações da metrópole com a parte dita
mais rica do Império, isto é, a economia política do sistema colonial. Sobre esse assunto, julgue
as afirmativas abaixo conforme análise de Cunha:
I. O governo do futuro marquês de Pombal não seguiu um programa definido, respondendo
aos problemas circunstanciais à medida que iam surgindo, de modo articulado a seus
ministros de confiança. Essa articulação, mais pragmática do que teórica, ajudou a formar
a sua percepção dos problemas da sociedade portuguesa, assim como as suas perspectivas
sobre os propósitos e as responsabilidades do governo.
II. A criação da Junta do Comércio possibilitou aos homens de negócio possuírem uma
instituição representativa própria, uma corporação que consagrava o reconhecimento a
nível institucional, abolindo a diferenciação entre os comerciantes de negócios dos
comerciantes de retalho ou de loja, ainda que não os estabelecessem como corpo social
privilegiado, devido, em grande parte, à pressão da nobreza de Corte sobre o rei.
III. As companhias monopolistas constituíram um instrumento para a promoção do comércio
e da agricultura nas regiões menos dinâmicas do Brasil e para manter o controle dos
nacionais sobre essas atividades, mas nunca contribuíram diretamente para as finanças do
Estado, pelo contrário, os seus amplos privilégios poderão ter retirado recursos da Coroa.
IV. Pombal não seguia os preceitos mercantilistas de uma forma dogmática. Embora estivesse
empenhado em restituir o monopólio do comércio colonial aos negociantes portugueses,
não obstava ao desenvolvimento, nas margens do sistema, do comércio direto entre as
próprias colônias. O pacto colonial não constituía um objetivo da política pombalina.
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