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#2977379

“No Brasil republicano, com a forte centralização do regime presidencialista – mesmo se de coalizão – a política externa é um campo de atuação jurídica e formalmente reservado à Presidência da República. Desde a primeira constituição republicana, manter relações com os estados estrangeiros é competência privativa do presidente da república.”

Texto extraído de: MARTINS, Estevão de Rezende. Realismo, ambição e frustração: o Brasil e sua política internacional (1985-2015). In: FERREIRA, Jorge; DELGADO, Lucilia de Almeida Neves (orgs.). O tempo da Nova República: da transição democrática à crise política de 2010: Quinta República (1985-2016). 1.ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2018. (O Brasil republicano; volume 5).

Marque a alternativa CORRETA quanto à visão de Estevão Martins sobre a política externa brasileira entre 1985 e 2015.

  • A agenda política internacional do Brasil da redemocratização tem pelo menos quatro grandes objetivos: angariar reconhecimento e apoio ao processo de renascimento político do país, alinhar o Brasil aos principais temas globais quanto à democracia e aos direitos humanos, recolocar o país no espaço regional da América do sul como protagonista de destaque e interferir em países com regimes políticos instáveis, via parceria com a ONU.
  • O pragmatismo universalista praticado desde 1985 foi uma estratégia bem-sucedida, à medida em que rompeu com o alinhamento incondicional ao bloco capitalista liderado pelos Estados Unidos, política externa brasileira vigente durante o Regime Militar. Os governos sucessivos apreciavam a autonomia que o “desalinhamento automático” permitiu a partir de 1990: qualquer país poderia ser parceiro político, econômico e social.
  • Com o breve período Collor (1990-1992), abriu-se um estilo na política externa – vocacionado para durar, pois foi mantido desde então pelos sucessivos governos –, nos quais os planos regional e global se articularam em torno da abertura econômica como vetor de modernização e dos valores democráticos como fonte de legitimidade e autoridade.
  • Após 2002, o Brasil passou a adotar uma linha mais coerente de apoio ao desenvolvimento do Mercosul, apesar das dificuldades internacionais, no plano comercial, e dificuldades regionais no entendimento comercial e industrial com a Argentina. No mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, ainda que por razões de cunho ideológico, teve-se o fortalecimento de iniciativas no espaço sul-americano, com a inclusão de novos países membros.
  • O governo Fernando Henrique teve que adotar políticas de recomposição e consolidação econômica e monetária, priorizando a União Europeia bem como os Estados Unidos, preterindo o Mercosul. Já o governo Lula da Silva dedicou-se a investir os meios do país em mudanças de prioridades, com as assim chamadas relações sul-sul, com países africanos, do Mercosul, do Oriente Próximo e Médio, com o Sudoeste Asiático.
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