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#2670752
Texto da Questão:

Texto para as questões 5 a 8


DEFENSORES DA “LÍNGUA CERTA”


Não é preciso ensinar nenhum brasileiro a dizer “isso é para mim tomar?”, porque

essa regra gramatical (sim, caros leigos, é uma regra gramatical) já faz parte da língua

materna de 99% dos nossos compatriotas. O que é preciso ensinar é a forma “isso

é para eu tomar?”, porque ela não faz parte da gramática da maioria dos falantes de

5 português brasileiro, mas por ainda servir de arame farpado entre os que falam “certo”

e os que falam “errado”, é dever da escola apresentar essa outra regra aos alunos, de

modo que eles – se julgarem pertinente, adequado e necessário – possam vir a usá-

la TAMBÉM. O problema da ideologia purista é esse também. Seus defensores não

conseguem admitir que tanto faz dizer assisti o filme quanto assisti ao filme, que

10 a palavra óculos pode ser usada tanto no singular (o óculos, como dizem 101% dos

brasileiros) quanto no plural (os óculos, como dizem dois ou três gatos pingados).

O mais divertido (para mim, pelo menos, talvez por um pouco de masoquismo)

é ver os mesmos defensores da suposta “língua certa”, no exato momento em que a

defendem, empregar regras linguísticas que a tradição normativa que eles acham que

15 defendem rejeitaria imediatamente. Pois ontem, vendo o Jornal das Dez, da GloboNews,

ouvi da boca do sr. Carlos Monforte essa deliciosa pergunta: “Como é que fica então

as concordâncias?”. Ora, sr. Monforte, eu lhe devolvo a pergunta: “E as concordâncias,

como é que ficam então?”.


BAGNO, Marcos. (UnB)


Disponível em: < http://portal.mec.gov.br/component/content/article?id=16649>.

Acesso em 28/11/2016 (fragmento).

Pelo texto, percebe-se que o autor

  • discrimina qualquer pessoa que não saiba falar corretamente, uma vez que o uso correto da língua é considerado símbolo de prestígio social.
  • aceita e incentiva o falar despretensioso, atendendo ou não às exigências gramaticais, mas não tem a mesma opinião quando se trata de apresentar um texto escrito.
  • defende as mudanças das regras gramaticais, já que ninguém as segue. Dessa forma, a língua se tornaria mais usual e popular, igualando socialmente os mais diversos grupos.
  • domina as regras gramaticais, no entanto defende a flexibilidade no uso da língua, assim como não vê mal algum quando se cometem deslizes gramaticais habituais entre os usuários dela.
  • concorda que nem todos falam corretamente, por isso defende a ideia de que a escola tem a obrigação de ensinar as normas gramaticais e cobrá-las de seus alunos.
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