Dizem que a separação nunca é um núcleo,
uma urgência. Dizem que ela começa em seu
avesso. E que é justamente no momento mais
suave, o primeiro encontro, o primeiro olhar, que a
separação começa a existir. Eu prefiro acreditar
que a separação nunca termina, e que o último dia,
a última noite, é um instante que se repete, a cada
espera, a cada volta, cada vez que sinto a tua falta,
cada vez que pronuncio teu nome. Eu acredito
que, ao te chamar, uma estratégia, um encanto, eu
seja capaz de fazer com que você se vire e olhe,
e, sem perceber, estenda entre nós um atalho,
uma ponte.
Mas como a gente chama alguém que foi
embora? Alguém que está longe, alguém que não
está? A distância deveria imediatamente impor um
tom mais solene, ou menos íntimo, afinal há a
distância. Mas como a gente trata com
distanciamento alguém que acabou de estar tão
perto? [...]
(SAAVEDRA, Carola. Flores Azuis. São Paulo: Companhia das
Letras, 2008)
Considerando os critérios tradicionalmente
adotados para a distinção entre textos
literários e não literários, assinale a alternativa
que melhor caracteriza o tipo de construção
textual apresentado no fragmento de Saavedra.
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