As várias razões que atuam em favor da não leitura em
todo o planeta, como a nefasta desumanização imposta
pelo mundo neoliberal, simbolizado nas Big Techs que
instituiu o comando das telas na gerência das nossas
vidas virtualizando radicalmente o tempo e o espaço,
não superam a ausência ou a má política pública porque
ela é estruturante e é a única que consegue trabalhar em
escala de um país continente para proporcionar (ou
retirar) o direito à leitura e à escrita. [...]
Se o direito à leitura é a chave de todos os outros
direitos no mundo contemporâneo, é preciso dizer que
um povo que lê com proficiência tem melhores
instrumentos para resistir à servidão e aos muitos
discursos de engano do mundo contemporâneo. Trata-se
de questão crucial para um país que se pretende
democrático.
É preciso lembrar que nos tempos medievais apenas os
ungidos pelo poder real, eclesiástico ou patriarcal podiam
ler aos outros. Somente no surgimento da Modernidade,
que nos trouxe novas tecnologias com Gutemberg, o
Estado Moderno e os primeiros contrapesos da vida
democrática, que as utopias da inclusão e da equidade
social elegeram o livro e a leitura como instrumentos
essenciais à vida em sociedade num estágio civilizatório
mais avançado.
Desde então, períodos de crescimentos se alternam aos
regressivos, regulados por períodos históricos onde
livros são odiados e jogados às fogueiras ou,
inversamente, são incentivados e formam esteios
civilizatórios para uma humanidade que anseia caminhar
para um convívio melhor e mais equânime.
Por fim e em meio a tantos motivos fundamentais à vida
para incentivarmos a formação de leitores/as, lembro
nossa conjuntura imediata, esta em que vivemos sob a
predominância das fake news como prática política e a
urgência de superarmos esse patamar odioso que gera
violência e instabilidade permanentes. Mais uma vez, e a
propósito, cito a Profª. Eliana Yunes:
"Leitura não é somente alfabetização, é visão de mundo.
Quem lê, pensa. E quem pensa, não se cala. É urgente,
portanto, incentivar a leitura, não apenas em sua
dimensão educativa, mas também em sua dimensão
social e cultural. A leitura é condição para a
aprendizagem. Sem esta e seus jogos de sentido, o
homem não se converte em sujeito de sua história."
(Disponível em:
https://www.publishnews.com.br/materias/2024/12/20/a-indignidade-co
mo-politica-publica. Acesso em 06 dez. 2025. Adaptado.)
Para a boa leitura e boa interpretação de um texto, tanto
o autor precisa construir um texto coeso, quanto o leitor
precisa identificar os elementos coesivos e as decisões
tomadas pelo autor para que compreenda as relações e
os sentidos estabelecidos. Tendo isso em consideração,
analise as sentenças:
I.No 1º parágrafo, o pronome pessoal "ela" tem papel
importante: estabelecer uma progressão referencial,
retomando "política pública".
II.No 4º parágrafo, a locução adverbial "Desde então"
estabelece uma relação de tempo entre as ideias
contidas no parágrafo anterior e neste que ela introduz.
Isso possibilita ao leitor compreender que a ideia
seguinte, em uma progressão sequencial, se localiza a
partir do tempo indicado no parágrafo anterior.
III.No 5º parágrafo, o pronome demonstrativo "esta" tem
como referente "conjuntura imediata". Pelo contexto, é
possível afirmar que ele ajuda o leitor a localizar o
assunto tratado e a si mesmo no tempo presente. Como
os sentidos não são construídos com palavras isoladas,
mas na relação entre elas, essa compreensão é possível
também porque o autor do texto utiliza a 1ª pessoa do
plural (nós), incluindo o leitor na reflexão.
É correto o que se afirma em:
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