Quando acordava não sabia mais quem era. Só depois
é que pensava com satisfação: sou datilógrafa e virgem,
e gosto de coca-cola. Só então vestia-se de si mesma,
passava o resto do dia representando com obediência
o papel de ser. [...] A datilógrafa vivia numa espécie de
atordoado nimbo, entre céu e inferno. Nunca pensara em
“eu sou eu”. Acho que julgava não ter direito, ela era um
acaso. Um feto jogado na lata de lixo embrulhado em um
jornal. Há milhares como ela? Sim, e que são apenas
um acaso.
LISPECTOR, Clarice. A hora da estrela. Rio de
Janeiro: Editora Rocco, 1998. [Fragmento]
Qual o efeito provocado pela ausência do nome
da personagem nesse fragmento do romance de
Clarice Lispector?
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