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#2655166
Texto da Questão:

Em muitas concepções tradicionais de leitura e de escrita que são veiculadas na escola, essas práticas são relacionadas a uma concepção de linguagem ingênua, segundo a qual haveria uma relação transparente e unívoca entre pensamento e linguagem. Como decorrência, vemos que a instituição escolar se torna o espaço para que sejam reproduzidos os usos linguísticos autorizados com a palavra escrita e, por isso mesmo, autoritários. Nesse sentido, resta ao aluno leitor/produtor de textos ocupar o lugar que lhe é destinado institucionalmente, sem que lhe seja permitido reconhecer a historicidade constitutiva da linguagem e (re)construir a sua própria história de leitura e escrita.


Pensando nessas questões, acredito ser fundamental a inclusão da historicidade em qualquer análise sobre a linguagem. Considero que esse cruzamento entre instituições que se encarregam de atribuir significados à escrita e à leitura permite que se visualizem algumas das contradições entre diferentes concepções que orientam as abordagens de ensino em sala de aula.

Fonte: MATENCIO, M. L. M. Leitura, produção de textos e a escola: reflexões sobre o processo de letramento. Campinas, SP: Mercado de Letras, 1994. p. 66.

Do excerto, emerge uma proposta de concepção de ensino de língua em que o sujeito deve ser

  • visto a partir de uma realidade linguística univocal. Nas práticas discursivas, o sujeito atualiza o sistema gramatical subjacente à língua, pois há um modo neutro, objetivo e sobre-humano de se falar no mundo.
  • compreendido como um ente uno verbalmente autônomo na heteroglossia constitutiva das línguas sociais. Nesse sentido, o sujeito lida com um sistema gramatical abstrato a ser explicitado, descrito e explicado.
  • visto como um ser mediado pela linguagem, capaz de agir no e sobre o mundo. Nesse sentido, o sujeito situa-se historicamente e constitui-se a partir da internalização dinâmica e ininterrupta da heteroglossia constitutiva das línguas sociais.
  • compreendido a partir de uma visão reificada da linguagem. Nas práticas discursivas, o sujeito constitui-se como um conglomerado de vozes sociais, caracterizando-se como umaarenade diferentes dizeres, já que se aliena de sua realidade social.
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