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#3720437

Leia o texto a seguir.

A injúria, assim, não é apenas uma fala que descreve, mas expressa um domínio, um poder de ferir daquele que pode nomear sobre o outro, que é, então, objetificado. Como sabemos, a nomeação do desvio é uma operação de afirmação da norma, traçando uma linha divisória entre os que estão incluídos e aqueles que são excluídos do reconhecimento da dignidade e da proteção aos direitos. Operando como um enunciado performativo, segundo Didier Eribon, a injúria diz o que somos na medida em que nos faz ser o que e quem somos. Essa onipresença do insulto, que está sempre às voltas dos corpos LGBTI+ como ameaça potencial ou concreta, é um dos traços mais comuns dessa comunidade. Por séculos, acusados de pecadores nas Igrejas, de doentes nos hospitais e manicômios, de criminosos no sistema penal e prisional, de ameaçadores a ordem pública e aos bons costumes pelos poderes estatais, LGBTI+ foram permanentemente atravessados pelos discursos e práticas de controle político e sexual de suas subjetividades.

QUINALHA, Renan. Movimento LGBTI+: Uma breve história do século XIX aos nossos dias. Belo Horizonte: Autêntica, 2022, p. 34.

Interpretando corretamente o trecho acima, é correto inferir que 

  • a nomeação do desvio conduz ao empoderamento das pessoas.
  • os insultos operam como mecanismos dissolutores dos vínculos comunitários.
  • a patologização de alguns indivíduos configura-se como estratégia de contenção social.
  • “pecadores”, “doentes” e “criminosos” são insultos que operam na contramão das normas.
  • a norma comportamental tende a diluir as práticas e condutas objetificadoras.
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