A injúria, assim, não é apenas uma fala que descreve, mas expressa
um domínio, um poder de ferir daquele que pode nomear sobre o
outro, que é, então, objetificado. Como sabemos, a nomeação do
desvio é uma operação de afirmação da norma, traçando uma
linha divisória entre os que estão incluídos e aqueles que são
excluídos do reconhecimento da dignidade e da proteção aos
direitos. Operando como um enunciado performativo, segundo
Didier Eribon, a injúria diz o que somos na medida em que nos faz
ser o que e quem somos. Essa onipresença do insulto, que está
sempre às voltas dos corpos LGBTI+ como ameaça potencial ou
concreta, é um dos traços mais comuns dessa comunidade. Por
séculos, acusados de pecadores nas Igrejas, de doentes nos
hospitais e manicômios, de criminosos no sistema penal e prisional,
de ameaçadores a ordem pública e aos bons costumes pelos
poderes estatais, LGBTI+ foram permanentemente atravessados
pelos discursos e práticas de controle político e sexual de suas
subjetividades.
QUINALHA, Renan. Movimento LGBTI+: Uma breve história do século XIX aos nossos
dias. Belo Horizonte: Autêntica, 2022, p. 34.
Interpretando corretamente o trecho acima, é correto inferir que
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